Outonos e primaveras...



Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.


A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.


A primavera só pode ser o que é porque o outono lhe embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que mais tarde serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.


São as estações do tempo. São as estações da vida.


Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos faz abraçar o silêncio das sombras...


Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras...


Floresçamos.


Padre Fábio de Melo

www.fabiodemelo.com.br


Animais em Sofrimento




Se os animais estão isentos da lei de causa e efeito, em suas motivações profundas, já que não têm culpas a expiar, de que maneira se lhes justificar os sacrifícios e aflições?


Assunto aparentemente relacionado com injustiça, mas a lógica nos deve orientar os passos na solução do problema. Imperioso interpretar a dor por mais altos padrões de entendimento.


Ninguém sofre, de um modo ou de outro, tão-somente para resgatar o preço de alguma coisa. Sofre-se também angariando os recursos precisos para obtê-la. Assim é que o animal atravessa longas eras de prova a fim de domesticar-se, tanto quanto o homem atravessa outras tantas longas eras para instruir-se.


Que mal terá praticado o aprendiz a fim de submeter-se aos constrangimentos da escola? E acaso conseguirá ele diplomar-se em conhecimento superior se foge às penas edificantes da disciplina?


Espírito algum obtém elevação ou cultura por osmose, mas sim através de trabalho paciente e intransferível. O animal igualmente para atingir a auréola da razão deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-la na posse definitiva do raciocínio.


Compreendamos, desse modo, que o sofrimento é ingrediente inalienável no prato do progresso.


Todo ser criado simples e ignorante é compelido a lutar pela conquista da razão, e atingindo a razão, entre os homens, é compelido igualmente a lutar a fim de burilar-se devidamente.


O animal se esforça para obter as próprias percepções e estabelecê-las. O homem se esforça avançando da inteligência para a sublimação.


Certifiquemo-nos, porém, de que toda criatura caminha para o reino da angelitude, e que, investindo-se na posição de espírito sublime, não mais conhece a dor, porquanto o amor ser-lhe-á sol no coração dissipando todas as sombras da vida ao toque de sua própria luz.




Emmanuel

Do livro “Aulas da Vida”, psicografia de Chico Xavier


Paciência



Virtude que escasseia, a paciência é de relevante importância para os cometimentos expressivos a que te propões.


Sem ela, a irritação comanda os feixes nervosos, e de desequilíbrios imprevisíveis irrompem na máquina física, comprometendo toda e qualquer realização.


Não se considerando os casos de desarmonia procedente de matrizes patológicas, todo homem pode e deve cultivar a paciência.


E mesmo quando acoimado por enfermidades que o afetam no equilíbrio emocional, através de contínuos esforços consegue resignação ante a dor, que é uma das mais expressivas manifestações da paciência.


Mediante exercícios regulares de reflexão e contenção dos impulsos da personalidade inferior, plasmarás condicionamentos íntimos, que imprimem calma e equilíbrio, culminando em harmonia interior, geradora da paciência.


Indubitavelmente, realização tal não se lobriga num só passo, sob impulso momentâneo.


Surge o embrião, molécula a molécula.


Constrói-se a máquina, peça a peça.


Realiza-se a obra, tarefa a tarefa.


Da mesma forma, nos empreendimentos morais, só através da perseverança, num programa feliz de segura urdidura, realizarás os misteres a que te propões.


A paciência, assim conseguida, conferirá salutares recursos para o enobrecimento espiritual daquele que a cultiva.


Conseqüência do cansaço, do marasmo, da rotina, a irritabilidade significa sinal vermelho na tarefa que executas.


Indispensável vigiar-lhe o surgimento.


Sutil, explode, de quando em quando, repetindo-se o clima de irascibilidade, que toma as paisagens da ação, estabelecendo nefanda presença, contumaz e enfermiça.


A paciência, a contrário, resiste às más circunstâncias e às tediosas ocorrências.


É confiante, gentil, otimista, sem que deixe de ser responsável, séria, recatada.


Suporta vicissitudes com galhardia e não esmorece quando os resultados demoram a expressar-se.


Espera com coragem e não desfalece.


Dessa forma, policia as reações íntimas e observa como te encontras.


Caso te sintas portador da constante mau-humor, estás necessitando do auxílio da paciência, a fim de refundires o ânimo, renovares conceitos e atividades, orando, com a sede de quem, urgentemente, precisa da água da paz.


Não te deixes amargar pela revolta interior ou esmagar pela irritabilidade.


Recorre à paciência, sempre e em qualquer situação, e ela te ajudará a servir, amar e aguardar amanhã o que hoje se te afigure improvável ou irreversível...


A paciência é, também, irmã da fé, porquanto, todo aquele que crê, espera e confia tranqüilamente.



Joanna de Ângelis

In: ‘Celeiro de Bênçãos’ - Divaldo P. Franco

Aprendamos a Agradecer



“Em tudo dai graças.” – Paulo

(1ª Epístola aos Tessalonicenses, cap. 5, v. 18.)



Saibamos agradecer as dádivas que o Senhor nos concede cada dia:


A largueza da vida;


O ar abundante;


A graça da locomoção;


A faculdade do raciocínio;


A fulguração da idéia;


A alegria de ver;


O prazer de ouvir;


O tesouro da palavra;


O privilégio do trabalho;


O dom de aprender;


A mesa que nos serve;


O pão que nos alimenta;


O pano que nos veste;


As mãos desconhecidas que se entrelaçam no esforço de suprir-nos a refeição e o agasalho;


Os benfeitores anônimos que nos transmitem a riqueza do conhecimento;


A conversação do amigo;


O aconchego do lar;


O doce dever da família;


O contentamento de construir para o futuro;


A renovação das próprias forças...


Muita gente está esperando lances espetaculares da “boa sorte mundana”, a fim de exprimir gratidão ao Céu.


O cristão, contudo, sabe que as bênçãos da Providência Divina nos enriquecem os ângulos mais simples de cada hora, no espaço de nossas experiências.


Nada existe insignificante na estrada que percorremos.


Todas as concessões do Pai Celeste são preciosas no campo de nossa vida.


Utilizando, pois, o patrimônio que o Senhor nos empresta, no serviço incessante ao bem, aprendamos a agradecer.



Emmanuel
(‘Fonte Viva’, 155, FCXavier, FEB)



* * *


PRECE DE GRATIDÃO


Pelo apoio do lar;


Pelo amparo da escola;


Pela proteção do trabalho;


Pela alegria de servir;


Pela defesa da higiene;


Pelo aviso da experiência;


Pelo exercício da tolerância;


Pela capacidade de ser útil;


Pelo dom de discernir;


Pela força da paciência;


Pelo amigo que me socorre;


Pelo adversário que me instrui;


Pelos estímulos com que me conduzes;


Pelas provações com que me esclareces;


Pelas dificuldades com que me proteges;


Pela energia da esperança e por todas as bênçãos de amor que me proporcionas através dos entes queridos que me confias, obrigado meu Deus!



Emmanuel
(‘Agora é o Tempo’, 40, FCXavier, IDEAL)


O elemento dispensável



A senhora não falava. Nas reuniões mediúnicas do grupo ao qual pertencia, ‘entrava muda e saía calada’, como se costuma dizer na gíria. Ao ser-lhe perguntado o que tinha sentido durante a reunião, ela respondia invariavelmente que se tinha sentido bem. Boas presenças. Nada mais adiantava.


Os outros componentes do grupo mediúnico, dadas as poucas palavras desta companheira, concluíram por unanimidade que a sua presença era dispensável. Com bons modos, para não ferir eventuais suscetibilidades, fizeram-lhe sentir que a sua presença no grupo não era necessária.


Ela reagiu como habitualmente: com poucas palavras. Mas notava-se no rosto enorme tristeza. É que o grupo mediúnico no qual ela participava havia anos lhe era muito caro. Era aí que ela sentia que poderia fazer alguma coisa pelos outros. Alguma coisa que estava ao seu alcance, dadas as suas poucas posses materiais e os seus fracos recursos escolares. Mas aceitou a decisão com um misto de desilusão e desencanto, tal como já havia acontecido muitas vezes na sua vida.


Passou-se algum tempo. O grupo mediúnico que tanto frutificara acabou por se ir desfazendo aos poucos. Agora saía um elemento, depois outro. Surgiam mistificações nas comunicações mediúnicas...


Até que um dia se apresentou o antigo guia espiritual orientador dos trabalhos, que já há bastante tempo não se manifestava. O júbilo do reencontro foi geral. Foi-lhe perguntado o porquê do rumo menos adequado que os trabalhos mediúnicos estavam seguindo. Ele explicou:


Sabem, irmãos, vocês expulsaram a trave mestra deste grupo. Ela não falava, não dizia palavra. Mas enquanto aqui estava ela transmitia vibrações de amor que sustentavam nossos trabalhos...”


Moral da história: Nunca julguemos os outros pelo imediatismo das aparências. Os sentimentos não se vêem.


Mário


Retirado do blog Idéia Espírita


A Alma



Pergunta: O que é a alma?

Resposta dos Espíritos — Um Espírito encarnado.


Pergunta: O que era a alma, antes de unir-se ao corpo?


Resposta dos Espíritos — Espírito.



Pergunta: As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa?


Resposta dos Espíritos — Sim, as almas não são mais que Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.


Pergunta: Há no homem outra coisa, além da alma e do corpo?


Resposta dos Espíritos — Há o liame que une a alma e o corpo.


Pergunta: Qual é a natureza desse liame?


Resposta dos Espíritos — Semimaterial; quer dizer, um meio-termo entre a natureza do Espírito e a do corpo. E isso é necessário, para que eles possam comunicar-se. E por meio desse liame que o Espírito age sobre a matéria, e vice-versa.


Comentário de Allan Kardec: O homem é, assim, formado de três partes essenciais:


1°) O corpo, ou ser material, semelhante aos dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;


2°) A alma. Espírito encarnado, do qual o corpo é a habitação;


3°) O perispírito. Princípio intermediário, substância semimaterial, que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tais são, num fruto, a semente, a polpa e a casca.


Pergunta: A alma é independente do princípio vital?


Resposta dos Espíritos — O corpo não é mais que o envoltório, sempre o repetimos.


Pergunta: O corpo pode existir sem a alma?


Resposta dos Espíritos — Sim; e não obstante, desde que o corpo deixa de viver, a alma o abandona. Antes do nascimento não há uma união decisiva entre a alma e o corpo, ao passo que, após o estabelecimento dessa união, a morte do corpo rompe os liames que a unem a ele, e a alma o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica.


Pergunta: O que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?


Resposta dos Espíritos — Uma massa de carne sem inteligência; tudo o que quiserdes, menos um homem.



* * *


A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada qual faz desse vocábulo. Uma língua perfeita, em que cada idéia tivesse a sua representação por um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra para cada coisa, todos se entenderiam.


Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida: é o puro materialismo. De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.


Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal de que cada ser absorve uma porção. Segundo estes, não haveria em todo o universo senão uma única alma, distribuindo fagulhas para os diversos seres inteligentes, durante a vida; após a morte, cada fagulha volta à fonte comum, confundindo-se no todo, como os córregos e os rios retornam ao mar de onde saíram. De acordo com esta opinião, a alma universal seria Deus e cada ser uma porção da Divindade; é esta uma variedade do Panteísmo.


Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Esta concepção é incontestavelmente a mais comum, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra em estado de crença instintiva, entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização. Essa doutrina, para a qual a alma é causa e não efeito é a dos espiritualistas.


Sem discutir o mérito dessas opiniões e não considerando senão o lado lingüístico da questão, diremos que essas três aplicações da palavra alma constituem três idéias distintas, que reclamariam cada uma um termo diferente. Essa palavra tem, portanto, significação tríplice, e cada qual está com a razão, segundo o seu ponto de vista ao lhe dar uma definição; a falha se encontra na língua, que não dispõe de mais de uma palavra para três idéias.


Para evitar confusões, seria necessário restringir a acepção da palavra alma a uma de suas idéias. Escolher esta ou aquela é indiferente, simples questão de convenção, e o que importa é esclarecer. Pensamos que o mais lógico é tomá-la na sua significação mais vulgar, e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo.


Seja como for, há um fato incontestável, pois resulta da observação: é que os seres orgânicos possuem uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos, e que ela independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; enfim, que, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e pensamento, há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá incontestável superioridade perante as outras, e que é a espécie humana.



Retirado do‘Livro dos Espíritos’ – Allan Kardec


Realização de Cirurgias Plásticas



Nas palavras de Chico Xavier, expressas no programa Pinga-Fogo da TV Tupi, já na década de 70, a plástica regeneradora, realizada mediante orientação médica, é um fator de grandes estímulos psicológicos para que a alegria de viver não diminua em nossos corações e para que possamos trabalhar com mais interesse em nossas vidas. Se a providência Divina nos concedeu a plástica, através do progresso das ciências, naturalmente é para que venhamos valorizar cada vez o veículo físico por meio do qual nos externamos na Terra.


Muitas pessoas procuram esclarecimentos sobre este tema nos Centros Espíritas, preocupadas com os resgates reencarnatórios relacionados a algumas más-formações físicas e com o cometimento de abusos nesta prática em função do excesso de vaidade.


Para auxiliar no esclarecimento, lembremos outra oportunidade em que um médico indagou a opinião de Chico Xavier sobre a questão da correção de problemas estéticos, através de cirurgia plástica, tendo em vista os resgates reencarnatórios. A resposta dada pelo médium foi publicada no livro “Lições de Sabedoria”, da FE Editora, a qual reproduzimos abaixo:


Nós pensamos, com os amigos que se comunicam conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência inteira. Chega o momento em que essa provação pode ser extinta e renovada para o bem, reformada para a felicidade da criatura. A cirurgia plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício de nós outros, porque muitos de nós precisamos do rosto mais ou menos bem composto, das pernas fortes, ou mesmo de outros sinais morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa. Eu conheço uma amiga que é manequim e ganha a vida para sustentar o marido que está num sanatório. Por que razão impedir que ela faça a cirurgia plástica nos seios, quando estes estão defeituosos?


Segundo Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, a questão é complexa porque cada caso é um caso. Descambar ou não para exageros é uma questão de foro íntimo, uma vez que cada pessoa tem liberdade para decidir o que é prioritário em sua vida. Muitas recorrem a um número exagerado de cirurgias plásticas por insatisfação profunda do próprio eu, por doença da alma - declara.


Portanto, as cirurgias de caráter corretivo são perfeitamente aceitáveis. Tais cirurgias que visam corrigir distúrbios funcionais são indispensáveis. Um cuidado está no que se refere somente à estética, pois o risco está no exagero. Uma cirurgia com caráter exclusivamente sexista é perigosa. Já uma cirurgia que vai reabilitar a auto-estima de uma pessoa é benéfica. O importante é perguntar-se o porquê de se fazer uma plástica. Se a resposta encontra respaldo em sentimentos nobres, conclui-se que o fruto é bom e, portanto, a árvore é boa. O que está por trás da cirurgia, na alma da pessoa, é o que realmente importa no caso.


Retirado do site OSGEFIC