Um Espírito Aborrecido

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(Bordéus, 1862)


Este Espírito apresenta-se espontaneamente ao médium, reclamando preces.


1. Que vos leva a pedir preces?

R. Estou farto de vagar sem objetivo.

P. Estais há muito em tal situação?

R. Faz cento e oitenta anos mais ou menos.

P. Que fizestes na Terra?

R. Nada de bom.


2. Qual a vossa posição entre os Espíritos?

R. Estou entre os entediados.

P. Mas isso não forma categoria...

R. Entre nós, tudo forma categoria. Cada sensação encontra suas semelhantes, ou suas simpatias que se reúnem.


3. Por que permanecestes tanto tempo estacionário, sem que fôsseis condenado a sofrer?

R. É que eu estava voltado ao tédio, que entre nós é um sofrimento. Tudo o que não é alegria, é dor.

P. Fostes, pois, forçado à erraticidade contra a vontade?

R. São coisas sutilíssimas para vossa inteligência material.

P. Procurando explicar-me essas coisas, talvez comeceis a beneficiar-vos a vós mesmos...

R. Faltando-me termos de comparação, não poderei fazê-lo. Uma vida sem proveito, extinguindo-se, lega ao Espírito, que a encarnou, o mesmo que ao papel pode legar o fogo quando o consome - fagulhas, que lembram às cinzas ainda compactas a sua proveniência, a causa do seu nascimento, ou, se o quiseres, da destruição do papel. Essas fagulhas são a lembrança dos laços terrestres que vinculam o Espírito, até que este disperse as cinzas do seu corpo. Então, e só então, tem ele, essência etérea, o conhecimento de si mesmo, desejando o progresso.


4. Qual poderia ter sido a causa desse aborrecimento de que vos acusais?

R. Consequências da existência. O tédio é filho da inação; por não ter eu sabido utilizar o longo tempo de encarnação, as consequências vieram refletir-se neste mundo.


5. Os Espíritos que, como vós, foram tomados de tédio, não podem libertar-se de tal contingência desde que o desejem?

R. Não, nem sempre, porque o tédio lhes paralisa a vontade. Sofrem as consequências da vida que levaram, e, como foram inúteis, desprovidos de iniciativa, assim também não encontram entre si concurso algum. Entregues a si mesmos, nesse estado permanecem, até que o cansaço, decorrente de tal neutralidade, os agite em sentido contrário, momento no qual a sua menor vontade vai encontrar apoio e bons conselhos e secundar-lhes o esforço e a perseverança.


6. Podeis dizer-me algo da vossa existência terrena?

R. Oh! Deveis compreender que pouco me é dado dizer, visto como o tédio, a nulidade e a inação provêm da preguiça, que, por sua vez, é mãe da ignorância.


7. E não vos aproveitaram as existências anteriores?

R. Sim, todas, porém, parcamente, visto serem reflexos umas das outras. O progresso existe sempre, porém tão insensível que se nos foge à apreciação.


8. Enquanto esperais uma nova encarnação, apraz-vos repetir as vossas comunicações?

R. Evocai-me para me obrigardes a vir, pois com isso me prestareis um beneficio.


9. Podeis dizer-nos por que tão frequentemente varia a vossa caligrafia?

R. Porque interrogais muito, o que aliás me fatiga, quando tenho necessidade de auxilio.


O guia do médium - O trabalho intelectual é que o fatiga, obrigando-nos a prestar o nosso concurso para que possa dar resposta às tuas perguntas. Este é um ocioso no mundo espiritual, assim como o foi no planeta. Trouxemo-lo até ti para que tentasses arrancá-lo dessa apatia, desse tédio que constitui verdadeiro sofrimento, às vezes mais doloroso que os sofrimentos agudos, por se poder prolongar indefinidamente. Imagina a perspectiva de um tédio sem-fim. A maior parte das vezes são os Espíritos dessa categoria que buscam as vidas terrestres apenas como passatempo e para interromper a monotonia da vida espiritual. Assim acontece chegarem frequentemente sem resoluções definidas para o bem, obrigados a recomeçarem sucessivamente, até atingirem a compreensão do verdadeiro progresso.


Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VII




Um Espírito Endurecido

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XUMÈNE

(Bordéus, 1862)


Sob este nome, um Espírito se apresenta espontaneamente à médium, habituada a este gênero de manifestações, pois sua missão parece ser a de assistir os Espíritos atrasados que o seu guia espiritual lhe conduz, no duplo propósito de adiantar a um e instruir a outro.


P. Quem sois? Este nome é de homem ou de mulher?

R. De homem, e tão infeliz quanto possível. Sofro todos os tormentos do inferno.


P. Mas se o inferno não existe, como podeis sofrer-lhe as torturas?

R. Pergunta inútil.


P. Compreendo, mas outros precisam de explicações...

R. Isso pouco me importa.


P. O egoísmo não será uma das causas do vosso sofrimento?

R. Pode ser.


P. Se quiserdes ser aliviado, começai repudiando as más tendências…

R. Não te incomodes com o que não é da tua conta; principia orando por mim, como praticas com os outros, e depois veremos.


P. A não me auxiliardes com o vosso arrependimento, a prece pouco valor poderá ter.

R. Mas falando, em vez de orares, menos ainda me adiantarás.


P. Então desejais adiantar-vos?

R. Talvez... não sei. Vejamos o essencial, isto é, se a prece alivia os sofrimentos.


P. Unamos então os nossos pensamentos com a firme vontade de obter o vosso alívio.

R. Vá lá.


P. (Depois da prece) Estais satisfeito?

R. Não como fora para desejar.


P. Mas o remédio, aplicado pela primeira vez, não pode curar imediatamente um mal antigo...

R. É possível...


P. Quereis voltar?

R. Se me chamares...


O guia da médium - Filha, terás muito trabalho com este Espírito endurecido, mas o maior mérito não advém de salvar os não perdidos. Coragem, perseverança, e triunfarás afinal. Não há culpados que se não possam regenerar por meio da persuasão e do exemplo, visto como os Espíritos, por mais perversos, acabam por corrigir-se com o tempo. O fato de muitas vezes ser impossível regenerá-los prontamente, não importa na inutilidade de tais esforços. Mesmo a contragosto, as ideias sugeridas a tais Espíritos fazem-nos refletir. São como sementes que, cedo ou tarde, tivessem de frutificar. Não se arrebenta a pedra com a primeira marretada.


Isto que te digo pode aplicar-se também aos encarnados e tu deves compreender a razão por que o Espiritismo não faz imediatamente homens perfeitos, mesmo entre os adeptos mais crentes.


A crença é o primeiro passo; vindo em seguida a fé e a transformação a seu turno; mas, além disso, força é que muitos venham revigorar-se no mundo espiritual.


Entre os Espíritos endurecidos, não há só perversos e maus. Grande é o número dos que, sem fazer o mal, estacionam por orgulho, indiferença ou apatia. Estes, nem por isso, são menos infelizes, pois tanto mais os aflige a inércia tanto mais se vêem privados das mundanas compensações.


Intolerável, por certo, se lhes torna a perspectiva do infinito, porém eles não têm nem a força nem a vontade para romper com essa situação. Referimo-nos a esses indivíduos que levam uma existência ociosa, inútil a si como ao próximo, acabando muita vez no suicídio, sem motivos sérios, por aborrecimento da vida.


Em regra, tais Espíritos são menos passíveis de imediata regeneração, do que os positivamente maus, visto como estes ao menos dispõem de energia, e, uma vez doutrinados, votam-se ao bem com o mesmo ardor que lhes inspirava o mal.


Aos outros, muitas encarnações se fazem necessárias para que progridam, e isto pouco a pouco, domados pelo tédio, procurando, para se distraírem, qualquer ocupação que mais tarde venha a transformar-se em necessidade.


Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VII


Enterrado vivo - A pena de talião


Antônio B., escritor de estimadíssimo merecimento, que exercera com distinção e integridade muitos cargos públicos na Lombardia, pelo ano de 1850 caiu aparentemente morto, de um ataque cataléptico.


Como algumas vezes sucede em tais casos, a sua morte foi considerada real, concorrendo ainda mais para o engano os vestígios da decomposição assinalados no corpo.


Quinze dias depois do enterro, uma circunstância fortuita determinou a exumação, a pedido da família. Tratava-se de um medalhão por acaso esquecido no caixão. Qual não foi, porém, o espanto dos assistentes quando, ao abrir este, notaram que o corpo havia mudado de posição, voltando-se de bruços e - coisa horrível - que uma das mãos havia sido comida em parte pelo defunto.


Ficou então patente que o infeliz Antônio B. fora enterrado vivo, e deveria ter sucumbido sob a ação do desespero e da fome.


Evocado na Sociedade de Paris, em agosto de 1861, a pedido de parentes, deu as seguintes explicações:


1. Evocação.

R. Que quereis?


2. A pedido de um vosso parente, nós vos evocamos com prazer e seremos felizes se quiserdes responder-nos.

R. Sim, desejo fazê-lo.


3. Lembrai-vos dos incidentes da vossa morte?

R. Ah! Certamente que me lembro; mas por que avivar essa lembrança do castigo?


4. Efetivamente fostes enterrado por descuido?

R. Assim deveria ser, visto revestir-se a morte aparente de todos os caracteres da morte real: eu estava quase exangue. (1) Não se deve, porém, imputar a ninguém um acontecimento que me estava predestinado desde que nasci.


5. Incomodam-vos estas perguntas? Será mister lhes darmos fim?

R. Não. Podeis continuar.


6. Porque deixastes a reputação de um homem de bem, esperávamos que fôsseis feliz.

R. Eu vos agradeço, pois sei que haveis de interceder por mim. Vou fazer o possível para vos responder, e, se não puder fazê-lo, fá-lo-á um dos vossos Guias por mim.


7. Podeis descrever-nos as vossas sensações daquele momento?

R. Que dolorosa provação sentir-me encerrado entre quatro tábuas, tolhido, absolutamente tolhido! Gritar! Impossível! A voz, por falta de ar, não tinha eco! Ah, que tortura a do infeliz que em vão se esforça para respirar num ambiente limitado! Eu era qual condenado à boca de um forno, abstração feita do calor. A ninguém desejo um fim rematado por semelhantes torturas. Não, não desejo a ninguém um tal fim! Oh! cruel punição de cruel e feroz existência! Não saberia dizer no que então pensava; apenas revendo o passado, vagamente entrevia o futuro.


8. Dissestes: cruel punição de feroz existência... Como se pode conciliar esta afirmativa com a vossa reputação ilibada?

R. Que vale uma existência diante da eternidade?! Certo, procurei ser honesto e bom na minha última encarnação, mas eu aceitara um tal epílogo previamente, isto é, antes de encarnar. Ah!... Por que interrogar-me sobre esse passado doloroso que só eu e os bons Espíritos enviados do Senhor conhecíamos? Mas, visto que assim é preciso, dir-vos-ei que numa existência anterior eu enterrara viva uma mulher - a minha mulher, e por sinal que num fosso! A pena de talião devia ser-me aplicada. Olho por olho, dente por dente.


9. Agradecemos essas respostas e pedimos a Deus vos perdoe o passado, em atenção ao mérito da vossa última encarnação.

R. Voltarei mais tarde, mas, não obstante, o Espírito de Éraste completará esta minha comunicação.


* * *


Instruções do guia do médium:


Por essa comunicação podeis inferir a correlatividade e dependência imediata das vossas existências entre si; as tribulações, as vicissitudes, as dificuldades e dores humanas são sempre as consequências de uma vida anterior, culposa ou mal aproveitada. Devo todavia dizer-vos que desfechos como este de Antônio B. são raros, visto como, se de tal modo terminou uma existência correta, foi por tê-lo solicitado ele próprio, com o objetivo de abreviar a sua erraticidade e atingir mais rápido as esferas superiores. Efetivamente, depois de um período de perturbação e sofrimento moral, inerente à expiação do hediondo crime, ser-lhe-á perdoado este, e ele se alçará a um mundo melhor, onde o espera a vítima que há muito lhe perdoou. Aproveitai este exemplo cruel, queridos espíritas, a fim de suportardes, com paciência, os sofrimentos morais e físicos, todas as pequenas misérias da Terra.


P. Que proveito pode a Humanidade auferir de semelhantes punições?

R. As penas não existem para desenvolver a Humanidade, porém para punição dos que erram. De fato, a Humanidade não pode ter interesse algum no sofrimento de um dos seus membros. Neste caso, a punição foi apropriada à falta. Por que há loucos, idiotas, paralíticos? Por que morrem estes queimados, enquanto que aqueles padecem as torturas de longa agonia entre a vida e a morte? Ah! crede-me; respeitai a soberana vontade e não procureis sondar a razão dos decretos da Providência! Deus é justo e só faz o bem.


Éraste


* * *


Este fato não encerra um ensinamento terrível? A justiça de Deus, às vezes tardia, nem por isso deixa de atingir o culpado, prosseguindo em seu aviso. É altamente moralizador o saber-se que, se grandes culpados acabam pacificamente, na abundância de bens terrenos, nem por isso deixará de soar cedo ou tarde, para eles, a hora da expiação. Penas tais são compreensíveis, não só por estarem mais ou menos ao alcance das nossas vistas, mas também por serem lógicas. Cremos, porque a razão admite. Uma existência honrosa não exclui, portanto, as provações da vida, que são escolhidas e aceitas como complemento de expiação - o restante do pagamento de uma dívida saldada antes de receber o preço do progresso realizado.


Considerando quanto nos séculos passados eram frequentes, mesmo nas classes mais elevadas e esclarecidas, os atos de barbárie que hoje repugnam; quantos assassínios cometidos nesses tempos de menosprezo pela vida de outrem, esmagado o fraco pelos poderosos sem escrúpulos; então compreenderemos que muitos dos nossos contemporâneos têm de expungir máculas passadas, e tampouco nos admiraremos do número considerável de pessoas que sucumbem vitimadas por acidentes isolados ou por catástrofes coletivas.


O despotismo, o fanatismo, a ignorância e os prejuízos da Idade Média e dos séculos que se seguiram, legaram às gerações futuras uma dívida enorme, que ainda não está saldada.


Muitas desgraças nos parecem imerecidas, somente porque apenas vemos o presente.


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(1) Privado de circulação do sangue. Descoloração da pele pela privação do sangue.



(Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VIII)




Uma História de Expiação – Parte 2/2



Instruções do guia do médium


Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de misérias e lágrimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado... e como a sua alma lobrigava já então o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No além-túmulo, pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava também por aqueles que não tinham resignação no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasfêmias!


Foi-lhe lenta a agonia, mas terrível não lhe foi a hora do trespasse; certamente os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espetáculo de um corpo disforme a revoltar-se contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortuário e cicatrizava-lhe o coração. Depois, esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma tão bela a escapar-se de tão horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: “Glória a Vós, Senhor, meu Deus!” E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: “Eis-me aqui, Senhor; destes-me por missão exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a provação?”


Hoje, o Espírito da pobre criança avulta, paira no Espaço, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: Esperança e coragem. Livre de todas as impurezas da matéria, ele aí está junto de vós a falar-vos, a dizer-vos não mais com essa voz fraca e lastimosa, porém agora firme: “Todos que me observaram, viram que a criança não murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus corações se tonificaram na suave confiança em Deus, que outro não era o fim da minha curta passagem pela Terra.”

Santo Agostinho


(Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VIII)


Uma História de Expiação – Parte 1/2


Marcel, o menino do nº 4


Havia num hospital de província um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era difícil precisar. Designavam-no pelo nº 4. Totalmente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando pelo pescoço, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Era oriundo de uma família israelita.


A moléstia dominava aquele organismo, já de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma inteligência notável, além de candura, paciência e resignação edificantes.


O médico que o assistia, cheio de compaixão pelo pobre um tanto abandonado, visto que seus parentes pouco o visitavam, tomou por ele certo interesse. E achava-lhe um quê de atraente na precocidade intelectual. Assim, não só o tratava com bondade, como lia-lhe quando as ocupações lho permitiam, admirando-se do seu critério na apreciação de coisas a seu ver superiores ao discernimento da sua idade.


Um dia, o menino disse- lhe:


- Doutor, tenha a bondade de me dar ainda uma vez aquelas pílulas ultimamente receitadas.


- Para quê? - Replicou-lhe o médico - Se já te ministrei o suficiente, e maior quantidade pode fazer-te mal?...


- É que eu sofro tanto, que dificilmente posso orar a Deus para que me dê forças, pois não quero incomodar os outros enfermos que aí estão. Essas pílulas fazem-me dormir e, ao menos quando durmo, a ninguém incomodo.


Aqui está quanto basta para demonstrar a grandeza dessa alma encerrada num corpo informe. Onde teria ido essa criança haurir tais sentimentos? Certamente não foi no meio em que se educou; além disso, na idade em que principiou a sofrer, não possuía sequer o raciocínio.


Tais sentimentos eram-lhe inatos; mas então porque se via condenado ao sofrimento, admitindo-se que Deus houvesse concomitantemente criado uma alma assim tão nobre e aquele mísero corpo - instrumento dos suplícios? É preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa; isto é, a preexistência da alma e a pluralidade das existências.


Os últimos pensamentos desta criança, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso médico que dela se condoeu. Decorrido algum tempo, foi o seu Espírito evocado na Sociedade de Paris, onde deu a seguinte comunicação (1863):


“A vosso chamado, vim fazer que a minha voz se estenda para além deste círculo, tocando todos os corações. Oxalá seu eco se faça ouvir na solidão, lembrando-lhes que as agonias da Terra têm por premissas as alegrias do céu; que o martírio não é mais do que a casca de um fruto deleitável, dando coragem e resignação.


Essa voz lhes dirá que, sobre o catre da miséria, estão os enviados do Senhor, cuja missão consiste na exemplificação de que não há dor insuperável, desde que tenhamos o auxílio do Onipotente e dos seus bons Espíritos. Essa voz lhes fará ouvir lamentações de mistura com preces, para que lhes compreendam a harmonia piedosa, bem diferente da de coros de lamentações mescladas com blasfêmias.


Um dos vossos bons Espíritos, grande apóstolo do Espiritismo, cedeu-me o seu lugar por esta noite. (1) Por minha vez, também me compete dizer algo sobre o progresso da vossa Doutrina, que deve auxiliar em sua missão os que entre vós encarnam, para aprender a sofrer. O Espiritismo será a pedra de toque; os padecentes terão o exemplo e a palavra, e então as imprecações se transformarão em gritos de alegria e lágrimas de contentamento.”


P. Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos não eram expiação de faltas anteriores...

R. Não seriam uma expiação direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera aduladores e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei a Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que andou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração.


Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha missão é de consolar, e não de instruir. Há, porém, aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas terão prazer com a minha presença.

Marcel

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(1) Santo Agostinho, pelo médium com o qual habitualmente se comunica na Sociedade.


(Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VIII)


Um criminoso arrependido

A 3 de janeiro de 1857, Mons. Sibour, arcebispo de Paris, ao sair da Igreja de Saint-Étienne-du-Mont, foi mortalmente ferido por um jovem padre chamado Verger.


O criminoso foi condenado à morte e executado a 30 de janeiro. Até o último instante não manifestou qualquer sentimento de pesar, de arrependimento, ou de sensibilidade.


Evocado no mesmo dia da execução, deu as seguintes respostas:


1. Evocação.


R. Ainda estou preso ao corpo.


2. Então a vossa alma não está inteiramente liberta?


R. Não... tenho medo... não sei... Esperai que torne a mim. Não estou morto, não é assim?


3. Arrependei-vos do que fizestes?


R. Fiz mal em matar, mas a isso fui levado pelo meu caráter, que não podia tolerar humilhações... Evocar-me-eis de outra vez.


4. Por que vos retirais?


R. Se o visse, muito me atemorizaria, pelo receio de que me fizesse outro tanto.


5. Mas nada tendes a temer, uma vez que a vossa alma está separada do corpo. Renunciai a qualquer inquietação, que não é razoável agora.


R. Que quereis? Acaso sois senhor das vossas impressões? Quanto a mim, não sei onde estou... estou doido.


6. Esforçai-vos por ser calmo.


R. Não posso, porque estou louco... Esperai, que vou invocar toda a minha lucidez.


7. Se orásseis, talvez pudésseis concentrar os vossos pensamentos...


R. Intimido-me... não me atrevo a orar.


8. Orai, que grande é a misericórdia de Deus! Oraremos convosco.


R. Sim; eu sempre acreditei na infinita misericórdia de Deus.


9. Compreendeis melhor, agora, a vossa situação?


R. Ela é tão extraordinária que ainda não posso apreendê-la.


10. Vedes a vossa vítima?


R. Parece-me ouvir uma voz semelhante à sua, dizen-do-me: Não mais te quero... Será, talvez, um efeito da imaginação!... Estou doido, vo-lo asseguro, pois que vejo meu corpo de um lado e a cabeça de outro... afigurando-se-me, porém, que vivo no Espaço, entre a Terra e o que denominais céu... Sinto como o frio de uma faca prestes a decepar-me o pescoço, mas isso será talvez o terror da morte... Também me parece ver uma multidão de Espíritos a rodear-me, olhando-me compadecidos... E falam-me, mas não os compreendo.


11. Entretanto, entre esses Espíritos há talvez um cuja presença vos humilha por causa do vosso crime.


R. Dir-vos-ei que há apenas um que me apavora o daquele a quem matei.


12. Lembrai-vos das anteriores existências?


R. Não; estou indeciso, acreditando sonhar... Ainda uma vez, preciso tornar a mim.


(Três dias depois.)


13. Reconhecei-vos melhor agora?


R. Já sei que não mais pertenço a esse mundo, e não o deploro. Pesa-me o que fiz, porém meu Espírito está mais livre. Sei a mais que há uma série de encarnações que nos dão conhecimentos úteis, a fim de nos tornarmos tão perfeitos quanto possível à criatura humana.


14. Sois punido pelo crime que cometestes?


R. Sim; lamento o que fiz e isso faz-me sofrer.


15. Qual a vossa punição?


R. Sou punido porque tenho consciência da minha falta, e para ela peço perdão a Deus; sou punido porque reconheço a minha descrença nesse Deus, sabendo agora que não devemos abreviar os dias de vida de nossos irmãos; sou punido pelo remorso de haver adiado o meu progresso, enveredando por caminho errado, sem ouvir o grito da própria consciência que me dizia não ser pelo assassínio que alcançaria o meu desiderato. Deixei-me dominar pela inveja e pelo orgulho; enganei-me e arrependo-me, pois o homem deve esforçar-se sempre por dominar as más paixões, o que aliás não fiz.


16. Qual a vossa sensação quando vos evocamos?


R. De prazer e de temor, por isso que não sou mau.


17. Em que consiste tal prazer e tal temor?


R. Prazer de conversar com os homens e poder em parte reparar as minhas faltas, confessando-as; e temor, que não posso definir - um quê de vergonha por ter sido um assassino.


18. Desejais reencarnar na Terra?


R. Até o peço e desejo achar-me constantemente exposto ao assassínio, provando-lhe o temor.


* * *

A situação de Verger, ao morrer, é a de quase todos os que sucumbem violentamente. Não se verificando bruscamente a separação, eles ficam como aturdidos, sem saber se estão mortos ou vivos. A visão do arcebispo foi-lhe poupada por desnecessária ao seu remorso; mas outros Espíritos, em circunstâncias idênticas, são constantemente acossados pelo olhar das suas vítimas.


Monsenhor Sibour, evocado, disse que perdoava ao assassino e orava para que ele se arrependesse. Disse mais que, posto estivesse presente à sua evocação, não se lhe tinha mostrado para lhe não aumentar os sofrimentos, porquanto o receio de o ver já era um sintoma de remorso, era já um castigo.



Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec

(2a. Parte - Cap. VI - Ed. FEB)


A cama "assombrada"


A situação que vou relatar passou-se há cerca de 25 anos.

Era um sábado, dia da reunião de encaminhamento espiritual. Os componentes do grupo mediúnico estavam reunidos. Faltavam alguns, que só chegariam algum tempo depois, dado o impedimento por razões de trabalho e porque habitavam a trinta quilômetros de distância.

Deu-se início à reunião, que decorreu normalmente até à chegada desses companheiros. Fez-se uma pausa e eles entraram para o recinto onde decorria a mesma. Todos em oração e concentrados.


De repente, através de um médium que lá se encontrava desde o início, manifesta-se uma entidade:


“Ninguém dorme na minha cama! Foi feita para mim e ninguém mais há-de dormir nela!”

Todos nós ficámos surpreendidos com esta intervenção inesperada. Não sabíamos do que se tratava. O doutrinador entrou em diálogo com a entidade:

Doutrinador: Mas o que tem a tua cama?

Espírito: Foi feita para mim. Fui eu quem a mandou fazer. E ninguém dorme nela, porque eu não deixo!!!


Doutrinador: E há pessoas que dormem na tua cama?


Espírito: Sim! Mas eu não vou deixar!


Doutrinador: E há quanto tempo mandaste fazer a cama?


Espírito: Ah, isso não sei. Só sei que não vou deixar ninguém deitar-se nela!


Doutrinador: De que país és?


Espírito: Sou espanhola. Ninguém vai dormir na minha cama!


Doutrinador: E qual é o rei que governa?


Espírito: Rei, não. Rainha. Isabel.


Doutrinador: Isabel, a Católica?


Espírito: Sim.


[Aqui o doutrinador percebe que tem que trazer esta entidade à realidade presente, pois ela não se deu ainda conta de que já não pertence ao mundo físico e que há muito permanece no mundo espiritual, ligada a um objeto terreno que, certamente, lhe era muito caro. Essa permanência estacionária no tempo estava retardando a sua evolução espiritual.]


Doutrinador: Olha, minha amiga: isso já se passou há muito tempo, de que tu perdeste a noção. Neste momento já não te encontras no mundo físico.

Espírito: Quero lá saber. A cama é minha e ninguém se vai deitar nela.


Doutrinador: Neste momento estás aqui connosco, numa reunião de auxílio espiritual e estás a falar através de um médium. Olha lá: experimenta colocar a mão na tua cara e nos teus cabelos...


[A entidade leva a mão à cara e aos cabelos. É surpreendida pela barba do médium e pelos cabelos curtos. Apercebe-se que não são dela.]

Espírito: Esta cara não é minha. Estes cabelos não são meus...


Doutrinador: Pois é, minha amiga. Como te disse, estás neste momento no mundo dos espíritos. O teu corpo de carne há muito desapareceu. Estás a falar através de um médium, usando a sua voz. Mas isto te será explicado mais tarde. Agora o que importa é que sejas auxiliada. Presta atenção ao que se passa à tua volta.

[Os componentes do grupo continuam em oração, mentalizando muita luz e pedindo por esta nossa irmã.]

Espírito: Estou a ver pessoas vestidas de branco....

Doutrinador: Fala com elas.

Espírito (após alguns momentos): Sim, vou.

Doutrinador: Então vai, minha irmã. Acompanha estes amigos que te vieram socorrer e esclarecer. Que Deus te acompanhe.

Espírito: Adeus a todos e obrigada.

Doutrinador: Agradece a Jesus.

É feita uma oração de agradecimento pelas bênçãos recebidas, manifestando-se, posteriormente, o guia espiritual dos trabalhos, que explica que esta nossa irmã, há muito vinha sendo seguida e que tinha chegado agora o momento de ela poder ser auxiliada.

Foi feita a oração de encerramento da reunião que foi dada por terminada.


Só depois obtivemos a explicação do sucedido, vinda da parte de um dos participantes da reunião que havia chegado posteriormente. Contou-nos ele que havia comprado a cama num antiquário e que nunca ele e a sua esposa tinham conseguido dormir naquela cama. Deitavam-se mas não conseguiam conciliar o sono. Sentiam-se inquietos sem saber a razão.


Moral da história:


1. Não nos apeguemos demasiado aos bens materiais, pois estes são transitórios;

2. Quando adquirirmos uma antiguidade, tenhamos em conta que podemos também adquirir quem, por ignorância, a ela se encontra ainda ligada.

Maio de 2009.
Mário.


Do blog Ideia Espírita



Escravos...


Viviane iniciou a sua comunicação deixando transparecer, através de lágrimas, uma vida repleta de amarguras. Nascera com os braços mutilados. Seu pai a criara em um prostíbulo no qual trabalhavam suas irmãs no exercício ingrato de mercadejar os corpos. Ela, mesmo com os membros superiores atrofiados, mantida às escondidas em quarto nos fundos do bordel, era às vezes violentada por clientes bêbados, sob a aquiescência do pai, que parecia odiá-la.


Ela também o odiava, pois em suas bebedeiras abusava dela sexualmente, atitude incompreensível e imperdoável, segundo sua opinião de mulher ultrajada.


Diante de tanto sofrimento, adentrou o túmulo enlouquecida, sendo recolhida por amigos espirituais que, depois de demorado tratamento, a trouxeram para uma catarse.


- Você acredita que Deus é justo? - perguntei-lhe


- Acredito! Mas não entendo como a sua justiça age.


- Se você admite a existência de um Deus justo, deve acreditar que a causa do seu sofrimento é justa. Isso lhe parece lógico?


- Sim.


- Já lhe disseram que vivemos muitas existências sobre a Terra?


- Já me falaram sobre reencarnação, mas não tive coragem de saber o que fiz no passado.


- Pois bem! Se as causas do seu sofrimento não se encontram na existência em que se chamou Viviane, teremos que voltar no tempo a fim de encontrarmos o núcleo do seu problema.


- Não! Não quero! Tenho medo! Não quero saber o que fiz àquele homem ou o que fez a mim.


Viviane já tentara a regressão no plano espiritual e não conseguira. Encontrava-se na delicada faixa do sofrimento embrutecido, misto de mágoa e dor. Mais um pouco e resvalaria nos despenhadeiros do ódio. Então eu a desafiei tentando tirá-la dessa perigosa situação.


- Você me parece uma pessoa corajosa! Por que então, no lugar de se fazer de vítima, alimentando a autopiedade, não recorre à sua fibra de mulher e age? A regra da casa é: Estando caído, levanta-te! estando em pé, segue adiante!


Iniciei a magnetização advertindo-a de que seguisse mentalmente a música, sempre no ar durante toda a reunião. Haja o que houver, não a perca, pois ela a levará ao passado, insisti.


Viviane obedeceu e pouco a pouco pareceu despertar em outro cenário, longe daquele catre onde vivera.


- Escravo teimoso! Ele é meu! Sua função é satisfazer-me em minhas necessidades!


- Por que você julga que esse escravo lhe pertence?


- Porque o comprei! Tenho necessidades. Para isso ele serve.


- Como é o seu nome?


- Catarina.


- Em que país você mora?


- Por que você me faz tantas perguntas? Quem pergunta tanto só pode ser um espião!


- Sou seu amigo. Quero apenas entender a sua situação para poder ajudá-la.


- Moro na Inglaterra. Sou de família nobre. Obrigaram-me a casar com aquele velho para aumentar nossas riquezas. Por isso tenho esse escravo que me satisfaz.


- De onde veio o escravo?


- Da Índia. Não quero que ele se envolva com nenhuma outra mulher. Eu já o adverti. Se me desobedecer, ele morre.


- Vamos um pouco para adiante, Catarina. O que aconteceu com o escravo?


- Eu mandei castrá-lo e em seguida matá-lo. Ele teve o atrevimento de me desobedecer.


- E o seu marido?


- Era um fraco! Suicidou-se quando soube do ocorrido.


- E como foi a sua velhice?


- Só! Abandonada. Todos me abandonaram por causa dessa maldita doença (hanseníase).


- Muito bem Catarina! Lembre-se de tudo quanto reviveu e volte para o hoje.


Ainda chorosa, ela comentou:


- Quero esquecer! Quero esquecer! Por favor, faça-me esquecer!


- Agora você já sabe a verdade. A verdade, segundo Jesus, liberta o espírito das amarras da ignorância.


E ainda sob a ação dos acordes de Chopin, meu velho amigo Falcão aplicou-lhe um passe, no que ela foi mansamente adormecendo.


Tudo levava a crer que senhora e escravo haviam se reencontrado. Infelizmente, ambos mais escravos que libertos. O sofrimento continuaria a trabalhar suas almas até que a paz tivesse condições de quebrar-lhes, de vez, as algemas.


Da Obra: Doutrinação - Diálogos e Monólogos
Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro


Nem sempre a notícia vem...




“Caros irmãos! Estou aqui para tentar esclarecer alguns pontos.


Muitos andam em busca de notícias dos entes amados que já não se encontram mais entre vós e sim entre nós. Muitos colocam toda a sua fé numa linha que seja e que os façam reconhecer o ser amado.


Mas, nem sempre ela vem. Nem sempre temos notícias de quem se foi. E isso depende muito de vários fatores. Depende de merecimento, de condições psíquicas, de condições de saber como lidar com esta notícia.


Muitos procuram sem jamais encontrá-la. Pois, por algum motivo que não nos é revelado, não nos é permitido acesso a tais revelações. Será que todos estaríamos em condições de saber a verdade ? Notícias que faramn bem a uns, não seriam bem interpretadas por outros.


Deus em sua grande misericórdia e bondade, sabe a quem e porque deveria uma mensagem chegar.


Já nos bastaria crer que há vida após a morte. Que a morte não existe, que tudo continua e que é chegada a hora da colheita de tudo o que foi semeado. Muitos só acreditam quando algo concreto lhes é apresentado.


Feliz daquele que crê sem ter visto, sem ter provas disto. Oremos e levemos o pensamento até o ser que sentimos saudades. Troquemos com este ente amor, carinho e afeto e isso já faz a ligação entre os dois mundos, entre as duas almas.


Nossas ligações durante o sono ou não deixam uma sensação de bem estar. Muitas vezes não temos notícias simplesmente porque nosso afeto já retornou (já reencarnou) e às vezes está mais próximo do que imaginamos. Os laços afetivos, as afinidades e o amor conquistados com o espírito nunca se rompem. São eternos. Todos os espíritos são irmãos antes de serem genitores, tios, avós ou a pessoa amada.


Não é errado querer saber de quem já não está entre nós, mas isso não pode ser levado como uma simples curiosidade. Se a notícia não trouxer nada que acrescente além de matar a curiosidade, de que ela servirá ?! Tudo na vida só tem um fundamento se acrescenta, se faz bem; caso contrário, melhor que continue no esquecimento.


Nem sempre somos merecedores, nem sempre o ente tem condições de dar notícias, nem sempre essa comunicação traz paz e conforto. Portanto, amigos, confiemos na bondade do Pai Maior e deixemos que seja feita a vontade Dele, pois esta não corre o risco jamais de estar errada... Nossas vontades, muitas vezes, se realizadas, nada de bom trariam ao coração.


Oremos, acreditemos e esperemos com resignação notícias de nossos irmãos amados, sem, contudo, atrapalhar-lhes a evolução e o trabalho a que se prestam deste outro lado. Deus Nosso Pai sabe da necessidade de cada um de nós e nos dá de acordo com nosso merecimento e para o nosso bem.


Se nos é permitido mandar notícias, mandamos; se sois merecedores, recebereis. Mas tudo na vida tem um porque. Nada se faz sem propósito. E peçamos a Deus entendimento necessário para a falta de notícias ou pela não realização de todas as nossas vontades, que, por certo, são para o nosso bem.


Fiquem em paz e que o Mestre Querido conforte vossos corações e abrande a saudade. Uma noite de muitas paz e um sono tranquilo a todos que, durante o sono, as saudades possam ser amenizadas.
”


Assinado: Irmão Otávio

Sorocaba, Outubro de 2007.

Médium: S.A.O.G.


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“...a morte também faz parte do sentido da vida e as respostas das quais precisamos nem sempre estão disponíveis quando queremos; mas sim quando precisamos.” Marcos Grignolli


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Retirado do blog Partida e Chegada



"Meu tempo por aí terminou"...


“Boa noite a todos, meu nome é Vitor.

Venho a pedido da minha mãe. Ela quer notícias minhas para, talvez, se sentir mais aliviada. Acho que ela, como toda mãe, se sente responsável pelo meu desencarne. Tive sérios problemas de respiração e, quando menos se esperava, as coisas pioraram e eu morri. Nem foi muito novidade para mim. Acho que eu até já esperava, apesar de ter apenas quinze anos. Mas meus pais (minha mãe) se desesperou. Fez perguntas, tentou saber o porquê, mas quem somos nós pra querer saber ou que Deus nos dê satisfação de seus atos, não é mesmo!?

Pois é... Eu morri, mas pra mim não foi difícil. Minha mãe tomou outros caminhos e graças a uma amiga, começou a ler e perceber que a morte não existe. Hoje ela é mais tranquila, mas ainda quer notícias pra ter certeza de que estou bem. Mamãe Elaine — ou Eliana (nota do transcrevente) —, eu estou bem e feliz. Meu tempo por aí terminou e talvez, o bom de tudo isso tenha sido você perceber que a vida continua.

Sei que pensa em mim e tenta não ficar me chamando. Que sente minha falta, mas agradece a Deus pelo tempo que estivemos juntos. Eu te amo e sempre te amei. Vou te esperar, porque nossa vida vem de outras... e meu amor por você não é pequeno, nem de agora. Sei que quando você ouve uma música que eu gostava se lembra e tenta não chorar. Não faça isso. Chore se tiver vontade. Só não blasfeme como muita gente faz.

Choro é normal naqueles que perdem um ente querido. Viva, dedique-se, ajude e tente compreender que estaremos juntos. Nosso senhor ensina que devemos praticar a caridade. Pratique e continue ajudando outras mães que não têm o mesmo conhecimento seu. Eu estou bem, estudo (como sempre gostei de fazer) e continuo fazendo tudo certinho como você sempre se orgulhou.

Minha vó me ajuda nas lições como você fazia, lembra! Aqui é lindo. Te amo muito e agradeço a oportunidade que me foi dada para conversar com você. Pena meu pai estar longe de você. Te amo. Que Deus permita minha visita a você sempre. Beijos.”


Assinado: Vitor

Data: Maio de 2007.

Local: Sorocaba (SP).

Médium: S.A.O.G.


Retirado do Blog Partida e Chegada