Serve e Esquece



Coração, ouve!... Se queres
A bênção da paz constante,
Trabalha e segue adiante,
Cumprindo o próprio dever...


Para vencer no caminho
Tristeza, treva e pesar,
Muito mais do que lembrar
A vida roga esquecer.


Esquece as mágoas sofridas,
As horas de céu cinzento,
O azedume, o desalento
E os tempos de provação.


Renova-te, dia-a-dia,
Não pares, contando lutas,
Progresso é o lema que escutas
No mundo em transformação.


Tudo procura a vanguarda,
A flor converte-se em fruto,
Do cascalho rijo e bruto,
Eis o diamante a surgir...


O fio forma o agasalho,
A própria noite se esquece
Na aurora que resplandece
Buscando a luz do porvir.


Da própria queda no erro,
Levanta-te e segue à frente,
Servindo incessantemente,
Tudo podes refazer.


Não te detenhas na angústia,
Ante o mal, prossegue e olvida,
As próprias nódoas da vida
A vida pede esquecer.


Por: Maria Dolores

In: A vida Conta

Francisco Cândido Xavier

Esquecer e Perdoar




Sofreste, de inesperado,

O estranho golpe da ofensa

Que te envolve em dor imensa,

No espinheiro do pesar.

Mas o remédio mais puro

Que restaura a alma ferida

Vem da farmácia da vida:

Esquecer e perdoar...


Honrando o cérebro eleito,

A Ciência alteia a voz,

Expõe o carro veloz,

A nave aérea, o radar...

A paz em casa, entretanto,

Além da luz da Ciência,

Pede a dupla providência:

Esquecer e perdoar...


No livro da Natureza,

Solo que aceite o trator,

Garante com mais amor

A semente, o pão e o lar...

Da fornalha desumana,

Vem a fina porcelana...

A ostra desconhecida

Cede ao mundo, sem protesto,

A pérola em plena vida,

Ensina-nos, vencida:

Esquecer e perdoar...


Assim também, alma irmã,

Nos dias de dor e luta,

Acalma-te, espera, escuta

Sem tristeza e reclamar,

E ouvirás a voz dos Céus,

Em meio da própria ação,

A dizer-te ao coração:

Esquecer e perdoar!...


Por: Maria Dolores. Mensagem recebida por Chico Xavier em reunião pública do Centro Espírita União – CEU, São Paulo-SP, em outubro de 1989, inserta na obra “Até sempre, Chico Xavier”.



ALEGRIA DO NATAL



Agradeço, Jesus,
A bênção do Natal que nos renova e aquece
Em vibrações de paz aos júbilos da prece,
Que te louvam, dos Céus ao pó que forra o chão!...
Agradeço a mensagem que te exalta,
Reacendendo o Sol da Nova Era
Nos cânticos da fé viva e sincera
Que nos refaz e eleva o coração.

Agradeço as palavras em teu nome,
Naqueles que conheço ou desconheço,
Que me falam de ti com bondade sem preço,
Conservando-me em ti, seja em que verbo for,
E as afeições queridas que me trazem,
Por teu ensinamento que me alcança,
A sublime presença da esperança
Ante a força do amor.

Agradeço o conforto
De tudo o que recebo em forma de ternura,
Na mais singela flor que me procura
Ou na prece de alguém
E as generosas mãos que me auxiliam
A repartir migalhas de consolo,
Seja um simples lençol ou um simples bolo
Para a festa do bem.

Agradeço a saudade
Dos entes que deixei noutros campos do mundo,
Que me deram contigo o dom profundo
De aprender a servir, de entender e de orar,
Os afetos que o tempo me resguarda
Sob fulgurações que revejo à distância,
Induzindo-me a ver-te entre os brincos da infância
Nas promessas do lar!...

Por tudo em que o Natal se revela e se expande
A envolver-nos em notas de alegria
Que o teu devotamento nos envia
Em carícias de luz,
Pelo trabalho que nos ofereces,
Perante a fé maior que hoje nos invade,
Para a edificação da Nova Humanidade,
Sê louvado, Jesus!...

Maria Dolores
(In: Os Dois Maiores Amores - Francisco Cândido Xavier)


Momento de Oração...




Senhor!... enquanto o tempo se renova
Nos vastos horizontes deste dia,
Aspiro a ser, onde me colocares,
A lembrança da paz e da alegria.


Ante a explosão de amor com que envolves o mundo,
Deixa que eu seja um raio de esperança
A todo coração desalentado
Que procura encontrar-se e ainda não te alcança.


Que eu tenha os próprios braços no socorro
À penúria de todos os matizes.
Entretanto, Senhor, faze de mim também a palavra de fé
Levantando na estrada os tristes e infelizes.


Converte-me a visão em caridade,
Dá-me o dom de servir sem perguntar a quem,
Conserva-me na escola do dever,
Faze de minhas mãos artífices do bem.


Ampara-me, Senhor, para que me transforme,
Na seara da vida e seja com quem for,
Num singelo canteiro de trabalho
A bendizer-te a luz e a florir-se de amor!...




Maria Dolores
(“Mãos Marcadas” - Francisco Cândido Xavier)