Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Questões complexas, por Emmanuel



DOAÇÃO DE ÓRGÃOS


Pergunta: O que a Doutrina Espírita pode falar a respeito de doação de órgãos, sabendo-se que o desligamento total do espírito pode às vezes ocorrer em até 24 horas e que, para a Medicina, o tempo é muito importante para a eficácia dos transplantes? O Espiritismo é contra ou a favor dos transplantes?


Emmanuel - O benefício daqueles que necessitam consiste numa das maiores recompensas para o espírito. Desse modo, a Doutrina Espírita vê com bons olhos a doação de órgãos. Mesmo que a separação entre o espírito e o corpo não se tenha completado, a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos aos doadores. A doação de órgãos não é contrária às Leis da Natureza, porque beneficia, além disso, é uma oportunidade para que se desenvolvam os conhecimentos científicos, colocando-os a serviço de vários necessitados.


COMA


Pergunta: O que se passa com os espíritos encarnados cujos corpos ficam meses, e até mesmo anos, em estado vegetativo (coma)?


Emmanuel - Seu estado será de acordo com sua situação mental. Há casos em que o espírito permanece como aprisionado ao corpo, dele não se afastando até que permita receber auxílio dos Benfeitores espirituais. São Pessoas, em geral, muito apegadas à vida material e que não se conformam com a situação.


Em outros casos, os espíritos, apesar de manterem uma ligação com o corpo físico, por intermédio do perispírito, dispõem de uma relativa liberdade. Em muitas ocasiões, pessoas saídas do coma descrevem as paisagens e os contatos com seres que os precederam na passagem para a Vida Espiritual. É comum que após essas experiências elas passem a ver a vida com novos olhos, reavaliando seus valores íntimos.


Em qualquer das circunstâncias, o Plano Espiritual sempre estende seus esforços na tentativa de auxílio. Daí a importância da prece, do equilíbrio, da palavra amiga e fraterna, da transmissão de paz, das conversações edificantes para que haja maiores condições ao trabalho do Bem que se direciona, nessas horas, tanto ao enfermo como aos encarnados (familiares e médicos).


EUTANÁSIA


Pergunta: Qual postura se deve ter perante a eutanásia? Estando o corpo físico sendo mantido por instrumentos, o espírito continua ligado a ele ou não?


Emmanuel - Os profissionais e responsáveis por pacientes que consentem com a prática da eutanásia, imbuída de idéias materialistas, desconhecem a realidade maior quanto à imortalidade do espírito. A morte voluntária é entendida como o fim de todos os sofrimentos, mas trata-se de considerável engano. A fuga de uma situação difícil, como a enfermidade, não resolverá as causas profundas que a produziram, já que estas se encontram em nossa consciência.


É necessário confiar, antes de tudo, na Providência Divina, já que tais situações consistem em valiosas lições em processos de depuração do espírito. Os momentos difíceis serão seguidos, mais tarde, por momentos felizes. Deve-se lembrar também que a ciência médica avança todos os dias e que males, antes incuráveis, hoje recebem tratamento adequado, além disso, em mais de uma ocasião já se verificaram casos de cura em pacientes desenganados pelos médicos.


Quanto à outra questão, respondemos que sim, os aparelhos conseguem fazer com que o espírito permaneça ligado a seu corpo por meio de laços do perispírito. Isso ocorre porque eles conseguem superar, até certo ponto, as descompensações e desarmonias no fluxo vital do organismo causado pela enfermidade.


EMMANUEL

Do livro “Plantão De Respostas “ – Francisco Cândido Xavier


11 Comments:

Du said...

Adri, cada vez mais eu admiro essa doutrina, pelo simples fato de que ela prega o que eu sinto e o que penso, principalmente em relação à estas questões abordadas! Fiquei muito feliz em saber que o espiritismo não é contra a doação de órgãos e em relação ao coma, lembrei de um episódio que aconteceu comigo na época em que eu trabalhava no hospital, já que eu cuidei de vários pacientes em estado vegetativo.
(senta que lá vem a história!)

Uma vez eu estava cuidando de uma senhora que estava há uns 6 meses em coma, desenganada pelos médicos, e os familiares só esperando a "hora" e falando em quem ia ficar com o quê dela, ali mesmo no quarto - era um hospital particular - neste momento eu estava fazendo massagem nas costas dela e perguntando à ela se ainda sentia muita dor (sim, eu conversava com os pacientes, mesmo em coma)... Naquele momento, lágrimas começaram a escorrer pelos seus olhos, e foi uma resposta pra mim...Chamei o médico responsável e pedi que falasse com os familiares, que se retirassem do quarto sempre que quisessem falar sobre "herança". O que eu senti naquele momento, muito forte dentro de mim, é que ela não chorava porque sentia dor física e sim, porque ouvia tudo o que era dito no quarto. Alguns podem até acreditar que isso não é possível, mas acredite, é sim!

Aff...

Beijos!!!

NANA said...

Lembrei de uma história que ouvi na Casa Espírita, aconteceu com uma senhora que fazia curso comigo...
A filha dela entrou em coma em 1994, permancecendo assim até 2004(10 anos), ela contou que pode levá-la para casa, havia recursos para manté-la. Durante todo o tempo os familiares iam no quarto conversavam com ela, contava as novidades...
Quando a menina voltou do coma ela conseguia lembrar ed boa parte das informações, isso pq o espírito não está desligado da matéria. E o comportamento da família foi exemplar, né?

***

Dri, estou c/ uma dúvida, na verdade precisando de um esclarecimento. Não tem nada a ver c/ este assunto. Estou precisando de informações a respeito de matança de animais em residências. Ex.: criar uma galinha e matá-la para o próprio consumo.
Queria saber se pode ser prejudicial para a casa e familiares. Se pode trazer uma 'energia' negativa, enfim...
Não estou sabendo me expressar corretamente, mas acho que vc me entenderá. Em alguns dos seus blogs tem algo a respeito?
Beijos

Claudia Pit said...

Oi Adriana, muito esclarecedor o seu testo; mas me resta - ainda - uma duvida: Praticar a eutanásia seria crime contra a vida?.. digo, se eu aotorizasse a realização em mim estaria praticando um suicidio??

Outra pergunta (perdoe-me a ignorancia): No caso de retirada de órgão - como no meu caso que precisei retirar o útero, existe alguma perda para o espirito?... No meu entender não, mas convivo com pessoas que muitas vezes criticam essas cirurgias!

Obrigada
bjs
Cláudia

Adriana said...

Oi Du!!

Que bom que vc gostou. Olha, o Espiritismo não poderia ser contra a doação de órgãos, já que preza sempre pelo bom-senso em todos os assuntos, além de ser uma Doutrina que possui um lado científico muito forte. É como Kardec disse: o Espiritismo caminha ao lado da ciência, ambas se complementam. Além, disso, a doação de órgãos é também um ato de caridade, de auxílio ao próximo, que o Espiritismo também prega. Sem contar que é uma bela atitude de desprendimento. Até porque sabemos que o corpo é apenas o veículo em que manifesta-se o nosso espírito e, depois da 'morte', não mais precisaremos dele...

A história que vc contou é mesmo muito emocionante. Obrigada por compartilhá-la aqui. Não preciso nem dizer que acredito em tudo, né? Sabe, conheço inúmeros casos parecidos. É uma pena que nem todos compreendam, sorte daqueles que podem contar com a sensibilidade das outras pessoas nesses momentos tão importantes. Inclusive (mais uma vez falo isso), quando vc começar a ler André Luiz (eu sei que isso irá acontecer algum dia! Rsrs), vc irá compreender o porquê desses casos e como se dá a organização no plano espiritual...

Beijos!!!

Du said...

Prometo que vou ler sim, amiga! Deixa eu só desenrolar a minha mente de "certas coisas" primeiro! Pode parecer desculpa mas não é, é que ultimamente não consigo me concentrar em livro nenhum, se eu pegar qualquer coisa na mão pra ler, já começo a dispersar totalmente...Só tenho lido os blogs! Aff...vou corrigir isso.

Beijão

Adriana said...

Du, não tem problema, cada coisa no seu tempo. Falo sempre isso porque sei que vc irá gostar muito dos livros de André Luiz. Com eles a gente se emociona e aprende muito!... Mas, enquanto isso, não deixe de ler os blogs mesmo, são ótimas ferramentas de informação e aprendizado também! :)

Beijos!!!

Adriana said...

Oi Nana!

Olha só que interessante, vc mencionou um caso semelhante ao da Du! Muito legal isso! Obrigada. Esses comentários enriquecem muito este blog, pois complementam a idéia do post! Vc tem razão, o comportamento da família foi excelente nesse caso, é essencial que todos tenham essa compreensão, a Medicina avançará muito no dia em que passar a enxergar e aceitar o homem não só como um monte de músculos, nervos e vasos, mas como um ser que carrega dentro de si um espírito, esse ‘sopro divino’...

Bom, sobre a sua pergunta, posso te dizer o que diz a Doutrina e a minha opinião pessoal:

Pelo que entendo, o Espiritismo não proíbe ninguém de alimentar-se de carne, como aliás, não proíbe nada a ninguém, já que respeita o livre-arbítrio do ser humano. Inclusive, sobre isso, dê uma olhada no ‘Livro dos Espíritos’, Terceira Parte (Das Leis Morais), no Capítulo V (Da Lei de Conservação), Questão 723:

“Pergunta: A alimentação animal, para o homem, é contrária à lei natural?

Resposta: Na vossa constituição física, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde para poder cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo o exige a sua organização.”

Dá uma olhada também nesse post, do blog “Irmãos Fraternos”, onde foi exposto um interessante texto que fala sobre a alimentação carnívora, principalmente no caso daqueles que trabalham mediunicamente:

http://irmaosfraternos.blogspot.com/2008/01/carne.html

Bom, creio que seja de entendimento geral então que podemos, sim, comer carne, a questão que vc colocou é sobre a matança dos animais dentro da própria residência. Quanto a isso não achei nada específico dentro da Codificação, não sei se não existe mesmo ou se eu é que não pesquisei direito. Por isso, o que eu posso te falar é a minha opinião, baseada nas minhas leituras:

Acredito que sim, que matar os animais dentro de casa seja prejudicial para o ambiente. Sabemos que no momento da morte há uma descarga energética grande, oriunda do estresse, do sofrimento, lembrando que estamos falando aqui de animais, até certo ponto desprovidos do princípio inteligente que nós, humanos, possuímos, portanto, eles reagem de uma forma diferente perante a morte. Mesmo que a morte não seja, digamos assim, com requintes de crueldade, respeitando-se aquele ser, ainda assim haverá uma descarga energética negativa. Uma coisa é comprarmos um peito de frango congelado para preparar em casa, outra é fazer o processo todo (criação e morte) dentro de nossa própria casa. Nesse caso não se trata somente daquela velha questão “o que os olhos não vêem, o coração não sente”, mas sim de algo real mesmo. É uma questão fluídica, que para nós pode não ser ‘palpável’, mas nem por isso deixa de existir...

Inclusive, sobre esse assunto, André Luiz, no livro “Missionários da Luz”, capítulo 11, fala sobre uma visita feita a um local em que se processava a matança de bovinos (matadouro) e descreve situações extremamente tristes de seres humanos desencarnados, em situações lamentáveis de embrutecimento e inferioridade, que permaneciam no local sugando o plasma sangüíneo dos animais (vampirismo).

Daí podemos entender que o sangue derramado atrai nossos irmãos que estão ligados ainda às sensações físicas e que necessitam sorver, de alguma maneira, um fluido vital, mesmo que seja através do sangue. Sobre isso André Luiz também falou, não lembro agora em qual livro, ao descrever uma morte violenta, depois de uma briga, no qual o cadáver, estando no chão, banhado em sangue, foi, de certa forma, “atacado” por entidades espirituais, que desejavam absorver os fluidos vitais que emanavam do recém-desencarnado. Isso, sem dúvida nenhuma, traz maus fluidos para qualquer ambiente. É um ciclo vicioso. Claro que isso não acontece em todas as mortes, nesse caso a pessoa possuía afinidades com os seres “malignos” e aí, foi tudo questão de atração... Sei que estamos nos referindo aos animais, mas achei interessante expor esse caso, como exemplo.

Ainda em “Missionários da Luz”, no capítulo 4, o Instrutor Alexandre fala que alimentar-se de animais não deixa de ser uma crueldade e, de certa forma, constitui um engano, já que, com a nossa inteligência, “teríamos recursos de encontrar novos elementos e meios de incentivar os suprimentos protéicos ao organismo, sem recorrer às indústrias da morte”. Ele afirma ainda que “tempos virão, para a Humanidade terrestre, em que o estábulo, como o lar, será também sagrado.” Dê uma olhada nesse capítulo, pois ele fala ainda sobre o respeito à Natureza, os abusos que cometemos e a nossa responsabilidade perante os animais, como nossos irmãos menores. Deixo aqui um trecho retirado de lá, para a nossa reflexão: “A missão do superior é a de amparar o inferior e educá-lo. Sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos superiores; sem respeito para com os outros, não devemos esperar o respeito alheio.”

Bom, espero ter respondido satisfatoriamente a sua questão! Ainda não coloquei nada nos blogs, mas já pensei nisso. Pode deixar que a sugestão está anotada (ufa, é tanta coisa, mas com calma vou falando sobre tudo aqui, tá?)

Beijos!!!

Adriana said...

Olá Cláudia!! Tudo bem?

Olha, sobre o tema ‘eutanásia’, recomendo que vc dê uma olhada em um texto de Emmanuel, aqui no blog, presente no tema/marcador “Eutanásia”, que fala justamente sobre o que vc perguntou.

Bom, entendo que a eutanásia sempre será um atentado contra a vida e contra as leis de Deus, uma vez que não temos o direito de julgar ou escolher qual a hora “certa” de “partir”. Sendo assim, quem pratica como médico ou familiar, pode sim, ser considerado um homicida, e aquele que deseja a realização, como vc perguntou, pode sim ser considerado um suicida. Esse é o meu ponto de vista, pela visão espiritual. Agora, juridicamente falando, pelo que eu sei, a eutanásia é um ato considerado crime, previsto no Código Penal, Artigo 122 (Induzimento, Instigação ou Auxílio ao Suicídio), sendo considerado um crime contra a vida.

Essa questão é mesmo complicada, entra aí em discussão o direito à vida, como um bem maior protegido pelo Estado, a situação dos médicos perante a Lei, os parentes que vez ou outra, por inúmeros motivos que não me cabe questionar, desejam o desligamento dos aparelhos dos doentes (muita gente confunde morte cerebral com coma), além do próprio doente, que muitas vezes deseja a morte...

Penso que tudo seria bem melhor resolvido se todos passassem a enxergar essa questão com uma visão menos materialista, assim, toda dor, toda doença prolongada, seriam encaradas não como um “sofrimento inútil”, mas sim como algo que serve de aprendizado para todos os envolvidos. Mas entendo que todos nós temos o direito de decidir o que fazer em relação ao nosso corpo, já que o próprio Deus nos deu o livre-arbítrio. Mas sabemos que, um dia, todos nós teremos que resgatar nossas dívidas perante a Justiça Divina e, principalmente, perante nós mesmos...

Quanto à sua outra pergunta, pode ficar tranqüila, pois uma cirurgia de retirada de órgãos, no meu entendimento, não representa absolutamente perda alguma para o espírito!

Ora, pior seria conviver com um órgão ‘defeituoso’, que estivesse causando problemas maiores à organização fisiológica como um todo, podendo causar danos em outros órgãos e até levar à morte prematura, não é mesmo?

Nos casos de retiradas de órgãos para doação, se não for prejudicar a saúde de quem doa, entendo que é uma atitude extremamente louvável e até recomendável, já que é um ato de extremo amor retirar de si mesmo para auxiliar o próximo.

A Medicina existe para nos auxiliar, tenha certeza que nada no Mundo acontece sem a devida permissão Divina, em tudo vemos a bondade de Deus. Se existem técnicas cirúrgicas, que possibilitam a retirada de órgãos doentes, e se sabemos que essas cirurgias são necessárias, em muitos casos, então temos todo o direito de utilizá-las, sem qualquer prejuízo para o nosso corpo espiritual!... Críticas sempre existirão, em tudo na vida, mas se estamos tranqüilos com a nossa consciência, não devemos nos importar com elas...

Sobre esse assunto, tenho algo a acrescentar: certa vez, um médico indagou a opinião de Chico Xavier sobre a questão da correção de problemas estéticos, através de cirurgia plástica, tendo em vista os resgates reencarnatórios. Vejamos a resposta dada pelo médium e que foi publicada no livro “Lições de Sabedoria”:

“Nós pensamos, com os amigos que se comunicam conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência inteira. Chega o momento em que essa provação pode ser extinta e renovada para o bem, reformada para a felicidade da criatura. A cirurgia plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício de nós outros, porque muitos de nós precisamos do rosto mais ou menos bem composto, das pernas fortes, ou mesmo de outros sinais morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa.”

Olha, não precisa se desculpar! Pode perguntar o que quiser! Todos nós somos ignorantes em algo, afinal, ninguém sabe de tudo, não é mesmo? Além disso, adoro responder! ;)

Beijos!!! Felicidades!!!

NANA said...

Dri, resposta mais que satisfatória, inclusive, vou ler esta parte do "Missionários", pois tenho o livro aqui.
Salvarei seu comentário também no computador.
Muito obrigado Dri, sabia que podia contar com sua orientação.
Beijos.

Du said...

Minha amiga... CARACA! Não dói os dedinhos não, heim??? Tu gosta de escrever, heim bichinha???

E eu adoro ler!

Beijão

Adriana said...

Oi!!!

.Nana => Que bom! Conte comigo sempre, tá? ;)

.Du => Heheh.. Tu não sabe que eu adoro isso, mulher?? A verdade é que sempre gostei muito de ler e escrever mesmo, e agora, mais ainda!... =)

BEIJOS!!!