Não acrediteis em todos os espíritos


“Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo.” (João, Epístola I, cap. IV: 1)


Os fenômenos espíritas, longe de confirmarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vêm, pelo contrário, dar-lhes o último golpe. Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz. Da mesma maneira que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia, revelaram as leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual. Essas leis, tanto quanto as científicas, pertencem também à natureza. Dando, assim, a explicação de uma ordem de fenômenos até agora incompreendidos, o Espiritismo destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso.


Como se vê, os que fossem tentados a explorar esses fenômenos em proveito próprio, fazendo-se passar por enviado de Deus, não poderiam abusar por muito tempo da credulidade alheia, e bem logo seriam desmascarados. Aliás, como já ficou dito, esses fenômenos nada provam por si mesmos: a missão se prova por efeitos morais, que nem todos podem produzir. Esse é um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita, que pesquisando a causa de certos fenômenos, levanta o véu de muitos mistérios. Os que preferem a obscuridade à luz, são os únicos interessados em combatê-la. Mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.


O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, através da máscara que usam, tornar aceitáveis as suas ideias, frequentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira mais ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número dos que, em diversas épocas, mas sobretudo nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, e até mesmo como Deus, é considerável.


São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: “Meus bem amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. (Ver o Livro dos Médiuns, Caps. 24 e segs.). É sobretudo ao discernimento dos bons e dos maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: “Reconhece-se a árvore pelos seus frutos; uma boa árvore não pode dar maus frutos, e uma árvore má, não pode dar bons frutos”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a árvore pela qualidade de seus frutos.


Do 'Evangelho Segundo o Espiritismo' – Allan Kardec (Capítulo 21)


Sempre Vivos



“Ora, Deus não é de mortos, mas, sim, de vivos. Por isso, vós errais muito.”

(Jesus - Marcos 12:27)


Considerando as convenções estabelecidas em nosso trato com os amigos encarnados, de quando em quando nos referimos à vida espiritual utilizando a palavra “morte” nessa ou naquela sentença de conversação usual. No entanto, é imprescindível entendê-la, não por cessação e sim por atividade transformadora da vida.


Espiritualmente falando, apenas conhecemos um gênero temível de morte - a da consciência denegrida no mal, torturada de remorso ou paralítica nos despenhadeiros que marginam a estrada da insensatez e do crime.


É chegada a época de reconhecermos que todos somos vivos na Criação Eterna. Em virtude de tardar semelhante conhecimento nos homens, é que se verificam grandes erros.


Em razão disso, a Igreja Católica Romana criou, em sua teologia, um céu e um inferno artificiais; diversas coletividades das organizações evangélicas protestantes apegam-se à letra, crentes de que o corpo, vestimenta material do Espírito, ressurgirá um dia dos sepulcros, violando os princípios da Natureza, e inúmeros espiritistas nos têm como fantasmas de laboratório ou formas esvoaçantes, vagas e aéreas, errando indefinidamente.


Quem passa pela sepultura prossegue trabalhando e, aqui, quanto aí, só existe desordem para o desordeiro.


Na Crosta da Terra ou além de seus círculos, permanecemos vivos invariavelmente.


Não te esqueças, pois, de que os desencarnados não são magos, nem adivinhos.


São irmãos que continuam na luta de aprimoramento.


Encontramos a morte tão-somente nos caminhos do mal, onde as sombras impedem a visão gloriosa da vida.


Guardemos a lição do Evangelho e jamais esqueçamos que Nosso Pai é Deus dos vivos imortais.


Por: Emmanuel - Livro: “Pão Nosso” - Psicografia: Chico Xavier




Um Espírito Aborrecido

..


(Bordéus, 1862)


Este Espírito apresenta-se espontaneamente ao médium, reclamando preces.


1. Que vos leva a pedir preces?

R. Estou farto de vagar sem objetivo.

P. Estais há muito em tal situação?

R. Faz cento e oitenta anos mais ou menos.

P. Que fizestes na Terra?

R. Nada de bom.


2. Qual a vossa posição entre os Espíritos?

R. Estou entre os entediados.

P. Mas isso não forma categoria...

R. Entre nós, tudo forma categoria. Cada sensação encontra suas semelhantes, ou suas simpatias que se reúnem.


3. Por que permanecestes tanto tempo estacionário, sem que fôsseis condenado a sofrer?

R. É que eu estava voltado ao tédio, que entre nós é um sofrimento. Tudo o que não é alegria, é dor.

P. Fostes, pois, forçado à erraticidade contra a vontade?

R. São coisas sutilíssimas para vossa inteligência material.

P. Procurando explicar-me essas coisas, talvez comeceis a beneficiar-vos a vós mesmos...

R. Faltando-me termos de comparação, não poderei fazê-lo. Uma vida sem proveito, extinguindo-se, lega ao Espírito, que a encarnou, o mesmo que ao papel pode legar o fogo quando o consome - fagulhas, que lembram às cinzas ainda compactas a sua proveniência, a causa do seu nascimento, ou, se o quiseres, da destruição do papel. Essas fagulhas são a lembrança dos laços terrestres que vinculam o Espírito, até que este disperse as cinzas do seu corpo. Então, e só então, tem ele, essência etérea, o conhecimento de si mesmo, desejando o progresso.


4. Qual poderia ter sido a causa desse aborrecimento de que vos acusais?

R. Consequências da existência. O tédio é filho da inação; por não ter eu sabido utilizar o longo tempo de encarnação, as consequências vieram refletir-se neste mundo.


5. Os Espíritos que, como vós, foram tomados de tédio, não podem libertar-se de tal contingência desde que o desejem?

R. Não, nem sempre, porque o tédio lhes paralisa a vontade. Sofrem as consequências da vida que levaram, e, como foram inúteis, desprovidos de iniciativa, assim também não encontram entre si concurso algum. Entregues a si mesmos, nesse estado permanecem, até que o cansaço, decorrente de tal neutralidade, os agite em sentido contrário, momento no qual a sua menor vontade vai encontrar apoio e bons conselhos e secundar-lhes o esforço e a perseverança.


6. Podeis dizer-me algo da vossa existência terrena?

R. Oh! Deveis compreender que pouco me é dado dizer, visto como o tédio, a nulidade e a inação provêm da preguiça, que, por sua vez, é mãe da ignorância.


7. E não vos aproveitaram as existências anteriores?

R. Sim, todas, porém, parcamente, visto serem reflexos umas das outras. O progresso existe sempre, porém tão insensível que se nos foge à apreciação.


8. Enquanto esperais uma nova encarnação, apraz-vos repetir as vossas comunicações?

R. Evocai-me para me obrigardes a vir, pois com isso me prestareis um beneficio.


9. Podeis dizer-nos por que tão frequentemente varia a vossa caligrafia?

R. Porque interrogais muito, o que aliás me fatiga, quando tenho necessidade de auxilio.


O guia do médium - O trabalho intelectual é que o fatiga, obrigando-nos a prestar o nosso concurso para que possa dar resposta às tuas perguntas. Este é um ocioso no mundo espiritual, assim como o foi no planeta. Trouxemo-lo até ti para que tentasses arrancá-lo dessa apatia, desse tédio que constitui verdadeiro sofrimento, às vezes mais doloroso que os sofrimentos agudos, por se poder prolongar indefinidamente. Imagina a perspectiva de um tédio sem-fim. A maior parte das vezes são os Espíritos dessa categoria que buscam as vidas terrestres apenas como passatempo e para interromper a monotonia da vida espiritual. Assim acontece chegarem frequentemente sem resoluções definidas para o bem, obrigados a recomeçarem sucessivamente, até atingirem a compreensão do verdadeiro progresso.


Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VII




Um Espírito Endurecido

..


XUMÈNE

(Bordéus, 1862)


Sob este nome, um Espírito se apresenta espontaneamente à médium, habituada a este gênero de manifestações, pois sua missão parece ser a de assistir os Espíritos atrasados que o seu guia espiritual lhe conduz, no duplo propósito de adiantar a um e instruir a outro.


P. Quem sois? Este nome é de homem ou de mulher?

R. De homem, e tão infeliz quanto possível. Sofro todos os tormentos do inferno.


P. Mas se o inferno não existe, como podeis sofrer-lhe as torturas?

R. Pergunta inútil.


P. Compreendo, mas outros precisam de explicações...

R. Isso pouco me importa.


P. O egoísmo não será uma das causas do vosso sofrimento?

R. Pode ser.


P. Se quiserdes ser aliviado, começai repudiando as más tendências…

R. Não te incomodes com o que não é da tua conta; principia orando por mim, como praticas com os outros, e depois veremos.


P. A não me auxiliardes com o vosso arrependimento, a prece pouco valor poderá ter.

R. Mas falando, em vez de orares, menos ainda me adiantarás.


P. Então desejais adiantar-vos?

R. Talvez... não sei. Vejamos o essencial, isto é, se a prece alivia os sofrimentos.


P. Unamos então os nossos pensamentos com a firme vontade de obter o vosso alívio.

R. Vá lá.


P. (Depois da prece) Estais satisfeito?

R. Não como fora para desejar.


P. Mas o remédio, aplicado pela primeira vez, não pode curar imediatamente um mal antigo...

R. É possível...


P. Quereis voltar?

R. Se me chamares...


O guia da médium - Filha, terás muito trabalho com este Espírito endurecido, mas o maior mérito não advém de salvar os não perdidos. Coragem, perseverança, e triunfarás afinal. Não há culpados que se não possam regenerar por meio da persuasão e do exemplo, visto como os Espíritos, por mais perversos, acabam por corrigir-se com o tempo. O fato de muitas vezes ser impossível regenerá-los prontamente, não importa na inutilidade de tais esforços. Mesmo a contragosto, as ideias sugeridas a tais Espíritos fazem-nos refletir. São como sementes que, cedo ou tarde, tivessem de frutificar. Não se arrebenta a pedra com a primeira marretada.


Isto que te digo pode aplicar-se também aos encarnados e tu deves compreender a razão por que o Espiritismo não faz imediatamente homens perfeitos, mesmo entre os adeptos mais crentes.


A crença é o primeiro passo; vindo em seguida a fé e a transformação a seu turno; mas, além disso, força é que muitos venham revigorar-se no mundo espiritual.


Entre os Espíritos endurecidos, não há só perversos e maus. Grande é o número dos que, sem fazer o mal, estacionam por orgulho, indiferença ou apatia. Estes, nem por isso, são menos infelizes, pois tanto mais os aflige a inércia tanto mais se vêem privados das mundanas compensações.


Intolerável, por certo, se lhes torna a perspectiva do infinito, porém eles não têm nem a força nem a vontade para romper com essa situação. Referimo-nos a esses indivíduos que levam uma existência ociosa, inútil a si como ao próximo, acabando muita vez no suicídio, sem motivos sérios, por aborrecimento da vida.


Em regra, tais Espíritos são menos passíveis de imediata regeneração, do que os positivamente maus, visto como estes ao menos dispõem de energia, e, uma vez doutrinados, votam-se ao bem com o mesmo ardor que lhes inspirava o mal.


Aos outros, muitas encarnações se fazem necessárias para que progridam, e isto pouco a pouco, domados pelo tédio, procurando, para se distraírem, qualquer ocupação que mais tarde venha a transformar-se em necessidade.


Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VII


O Dia dos Mortos



O dia de comemoração dos mortos tem alguma coisa de mais solene para os Espíritos? Preparam-se eles para visitar os que vão orar sobre os túmulos?


— Os Espíritos atendem ao chamado do pensamento, nesse dia como nos outros.


Esse é para eles um dia de reunião junto às sepulturas?


— Reúnem-se em maior número nesse dia, porque maior é o número de pessoas que os chamam. Mas cada um só comparece em atenção aos seus amigos, e não pela multidão dos indiferentes.


Sob que forma comparecem e como seriam vistos, se pudessem tornar-se visíveis?


— Aquela pela qual eram conhecidos em vida.


Os Espíritos são sensíveis à saudade dos que os amavam na Terra?


— Muito mais do que podeis julgar. Essa lembrança aumenta-lhes a felicidade, se são felizes, e se são infelizes, serve-lhes de alívio.


A visita ao túmulo proporciona mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita em sua intenção?


— A visita ao túmulo é uma maneira de se manifestar que se pensa no Espírito ausente: é a exteriorização desse fato. Eu já vos disse que é a prece que santifica o ato de lembrar; pouco importa o lugar, se a lembrança é ditada pelo coração.


A alma que volta à vida espiritual é sensível às honras que tributam aos seus despojos mortais?


— Quando o Espírito já chegou a um certo grau de perfeição, não tem mais vaidade terrestre e compreende a futilidade de todas as coisas. Sabeis porém, que, frequentemente, há Espíritos que, no primeiro momento da morte, gozam de grande satisfação com as honras que lhes tributam, ou se desgostam com o abandono a que lançam o seu envoltório, pois conservam ainda alguns preconceitos deste mundo.


O respeito instintivo do homem pelos mortos, em todos os tempos e entre todos os povos, é um efeito da intuição da existência futura?


— É a sua consequência natural. Sem ela, esse respeito não teria sentido.



Trechos retirados do “Livro dos Espíritos” - Allan Kardec

(Livro Segundo – Cap. 6 – Item IX)


Para ler o texto completo – CLIQUE AQUI.


Leia os textos do blog Espírita na Net sobre o "Dia de Finados" – CLIQUE AQUI.


Leia também a mensagem: Ante os que partiram.


Uma História de Expiação – Parte 2/2



Instruções do guia do médium


Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de misérias e lágrimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado... e como a sua alma lobrigava já então o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No além-túmulo, pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava também por aqueles que não tinham resignação no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasfêmias!


Foi-lhe lenta a agonia, mas terrível não lhe foi a hora do trespasse; certamente os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espetáculo de um corpo disforme a revoltar-se contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortuário e cicatrizava-lhe o coração. Depois, esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma tão bela a escapar-se de tão horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: “Glória a Vós, Senhor, meu Deus!” E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: “Eis-me aqui, Senhor; destes-me por missão exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a provação?”


Hoje, o Espírito da pobre criança avulta, paira no Espaço, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: Esperança e coragem. Livre de todas as impurezas da matéria, ele aí está junto de vós a falar-vos, a dizer-vos não mais com essa voz fraca e lastimosa, porém agora firme: “Todos que me observaram, viram que a criança não murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus corações se tonificaram na suave confiança em Deus, que outro não era o fim da minha curta passagem pela Terra.”

Santo Agostinho


(Do livro “O Céu e o Inferno” - Allan Kardec / 2ª Parte - Cap. VIII)


Materialização de Espíritos



(Espírito materializado Katie King, junto ao cientista Sir William Crookes)


Fenômeno mediúnico de efeitos físicos


As ações desenvolvidas pelos efeitos dessa mediunidade afetam o ambiente material e, por isso, são denominados de efeitos físicos. Os fenômenos de efeitos físicos resultam da ação dos espíritos sobre os fluidos até chegar a produzir resultados perceptíveis no mundo material. Os efeitos dessa mediunidade são percebidos por qualquer pessoa que os possa presenciar.


O efeito físico é o resultado da combinação dos fluidos do espírito, do o ectoplasma do médium e os fluidos do ambiente. Com esses três elementos o espírito gera o fenômeno, o anima e controla pelo pensamento.


Fluidos


André Luiz, no livro Domínios da Mediunidade, afirma que o fluido é um material leve e plástico, necessário para a materialização. Podemos dividi-lo em três elementos essenciais: fluidos A, representando as forças superiores e sutis da esfera espiritual (são, geralmente, os mais puros); fluidos B, nascidos da atuação dos companheiros encarnados e, muito notadamente, do médium; e fluidos C, constituindo energias tomadas à Natureza terrestre (são os mais dóceis).


Os Espíritos agem sobre os fluidos, intencionalmente ou não, conforme o esclarecimento e a evolução.


As formações fluídicas são geradas pelo pensamento e dependem da capacidade de cada um ter mais ou menos potencialidade de criar formas através da manipulação de fluidos.


Podem aglomerar, dirigir, modificar e até combinar entre si para obter resultados ou conferir-lhes propriedades.


É assim que, no campo espiritual, as “coisas” são plasmadas (formadas).


(Para saber mais sobre fluidos - CLIQUE AQUI)


Materialização (ou Ectoplasmia)


Fenômeno pelo qual os espíritos constroem algo material (objeto ou corpo) a partir da manipulação do ectoplasma, em combinação com os fluidos do ambiente e do espírito.


Para que o fenômeno de materialização de espíritos aconteça, é necessário a presença do médium de efeitos físicos e a presença de um componente especial denominado de ectoplasma.


Chama-se de médium de efeito físico aquele que tem a faculdade que permite ceder ectoplasma em quantidade suficiente para possibilitar aos espíritos o seu uso em combinação com outros fluidos (os do espírito e do ambiente), visando produzir ações e resultados sobre o mundo material.


O Ectoplasma


O ectoplasma é uma substância que se acredita que seja força nervosa e tem propriedades de interagir com o mundo físico. É um elemento amorfo, mas de grande potência e vitalidade, servindo de alavanca para interagir os planos físicos e espiritual. Infinitamente plástico, dá forma parcial ou total às entidades que se fazem visíveis.


É uma substância delicadíssima, que se situa entre o perispírito e o corpo físico, assim como um produto de emanações da alma pelo filtro do corpo, e é recurso peculiar não somente ao homem, mas a todas as formas da Natureza.


Pode ser usado pelo ser humano para liberá-lo, produzindo vários fenômenos. É de difícil manipulação, exige treinamento e técnicas para que os espíritos possam se utilizar desse fluido.


O médium em transe fornece o ectoplasma necessário para o fenômeno. O ectoplasma flui para fora do corpo do médium pelos orifícios naturais do organismo humano. Os espíritos combinam este ectoplasma com os fluidos retirados do ambiente (plantas, animais etc) e moldam as formas e os corpos desejados.


No processo de materialização, o corpo físico do médium, prostrado, sob o domínio dos técnicos do plano espiritual, expele o ectoplasma, qual pasta flexível, à maneira de uma geléia viscosa e semiliquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais - particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos - com elevada percentagem a exteriorizar-se igualmente do tórax e das extremidades dos dedos.


Durante o fenômeno o médium apresenta sensível perda de peso (matéria) e sensações de frio. É desgastante e requer muito cuidado para que a experiência não afete a saúde do médium. Deve ser realizado em um ambiente escuro (a luz afeta o ectoplasma) e tranquilo, e não deve-se tocar no médium durante o transe.


Ao final da manifestação o corpo ou objeto materializado se dissolve e os seus elementos retornam aos corpos de origem.


Sugestão de livros que tratam sobre ectoplasma e materialização:


  • Análise das Coisas - Paul Gibier

  • A alma é Imortal- Gabriel Delane

  • Mediunidade - J. Herculano Pires

  • Libertação - André Luiz / Chico Xavier
  • Pensamento e Vontade - Ernesto Bozzano
  • Parapsicologia Hoje e Amanhã - J. Herculano Pires

  • Curso Dinâmico de Espiritismo - J. Herculano Pires

  • Domínios da Mediunidade - André Luiz / Chico Xavier

  • Evolução em Dois Mundos - André Luiz / Chico Xavier

  • Espirito, Perispírito e Alma - Hernani Guimarães Andrade


* * *

Para saber mais e ver algumas imagens - CLIQUE AQUI

Para ver mais fotos de materializações - CLIQUE AQUI


* * *


(Materialização de Meimei)


Uma noite sentimos um delicioso perfume. Intimamente, achei que era o mesmo que Meimei costumava usar. Surpreendi-me quando subitamente percebi que o corredor ia se iluminando aos poucos, como se alguém caminhasse por ele portando uma lanterna. Subitamente a luminosidade extinguiu-se. Momentos depois a sala iluminou-se novamente. No centro dela havia como que uma estátua luminescente. Um véu cobria-lhe o rosto. Ergueu ambos os braços, e elegantemente, etereamente, o retirou, passando as mãos pela cabeça, fazendo cair uma linda cascata de cabelos pretos até a cintura. Era Meimei. Olhou-me, cumprimentou-me e dirigiu-se até onde eu estava sentado. Sua roupagem era de um tecido leve e transparente. Estava linda e donairosa. Levantei-me para abraçá-la e senti bater o seu coração espiritual. Beijamo-nos fraternalmente e ela acariciou meu rosto e brincou com minhas orelhas, como não podia deixar de ser. Ao elogiar sua beleza, a fragrância que emanava, a elegância dos trajes e sua tênue feminilidade, disse-me: “Ora, Meu Meimei, aqui também nos preocupamos com nossa apresentação pessoal. A ajuda aos nossos semelhantes, o trabalho fraterno faze-nos mais belos, e afinal de contas, eu sou sua mulher. Preparei-me para você, seu moço. Não iria gostar de uma Meimei feia!”


Texto de Arnaldo Rocha (viúvo de Meimei)

Trecho do livro “Chico Xavier - Mandato de Amor” (União Espírita Mineira - Belo Horizonte, 1992)



As influências espirituais



- “Influem os Espíritos em nosso pensamento, e em nossos atos?”.

- Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 459.)



A assertiva dos Espíritos a Allan Kardec demonstra que, na maioria das vezes, estamos todos nós - encarnados - agindo sob a influência de entidades espirituais que se afinam com o nosso modo de pensar e de ser, ou em cujas faixas vibratórias respiramos.


Isto não nos deve causar admiração, pois se analisarmos a questão sob o aspecto puramente terrestre chegaremos à conclusão de que vivemos em permanente sintonia com as pessoas que nos rodeiam, familiares ou não, das quais recebemos influenciações através das ideias que exteriorizam, dos exemplos que nos são dados, e também que influenciamos com a nossa personalidade e pontos de vista.


Quando acontece de não conseguirmos exercer influência sobre alguém de nosso convívio e que desejamos aja sob o nosso prisma pessoal, via de regra tentamos por todos os meios convencê-lo com argumentos persuasivos de diferente intensidade, a fim de lograrmos o nosso intento.


Natural, portanto, ocorra o mesmo com os habitantes do mundo espiritual, já que são eles os seres humanos desencarnados, não tendo mudado, pelo simples fato de deixarem o invólucro carnal, a sua maneira de pensar e as características da sua personalidade.


Assim, vamos encontrar desde a atuação benéfica de Benfeitores e Amigos Espirituais, que buscam encaminhar-nos para o bem, até os familiares que, vencendo o túmulo, desejam prosseguir gerindo os membros do seu clã familial, seja com bons ou maus intentos, bem como aqueles outros a quem prejudicamos com atos de maior ou menor gravidade, nesta ou em anteriores reencarnações, e que nos procuram, no tempo e no espaço, para cobrar a divida que contraímos.


Por sua vez, os que estão no plano extrafísico também se acham passíveis das mesmas influenciações, partidas de mentes que lhes compartilham o modo de pensar, ou de outras que se situam em planos superiores, e, no caso de serem ainda de evolução mediana ou inferior, de desafetos, de seres que se buscam intensamente pelo pensamento, num conúbio de vibrações e sentimentos incessantes.


Essa permuta é contínua e cabe a cada indivíduo escolher, optar pela onda mental com que irá sintonizar.


Portanto, a resposta dos Espíritos a Kardec nos dá uma noção exata do intercâmbio existente entre os seres humanos, seja ele inconsciente ou não, mas, de qualquer modo, real e constante.


Do livro “Obsessão e Desobsessão” - Suely Caldas Schubert


Os Maus Espíritos



Há muitas classes de Espíritos maus?


- Há os Espíritos simplesmente inferiores, tais como os Espíritos levianos, imperfeitos, zombeteiros, que nossos pais chamavam de duendes, os brincalhões, e que gostam de travessuras de toda espécie; depois há os Espíritos perversos, que induzem os homens ao mal, pelo prazer de fazer o mal, e os que, como os Espíritos batedores, habitam as casas mal-assombradas.


Como vivem os Espíritos inferiores?


- Numa vida inquieta e atormentada; eles percorrem, sem destino certo, as regiões crepusculares da erraticidade, sem poderem compreender seu estado, nem achar seu caminho: é o que se chama de almas penadas.


Os Espíritos inferiores são nocivos?


- Alguns o são; e sua má influência sobre os homens deu lugar à crença nos demônios.


Os demônios, então, não existem?


- Não; há maus Espíritos, porém os que são chamados de demônios, ou espíritos eternamente maus, não existem; nem o mal, nem os maus podem ser eternos.


Como os homens podem entrar em relação com os maus Espíritos?


- Por meio dos fluidos e em virtude da lei de afinidade espiritual: “Quem se assemelha, se ajunta.”


Os maus Espíritos podem, então, exercer influência sobre os homens?


- Sim. Sobre os homens maus, que os invocam, ou sobre os homens fracos, que se entregam a eles; daí os frequentes fenômenos da possessão e da obsessão.



Que pensar do papel do demônio nas manifestações espíritas?


- O demônio não existe e não pode existir, porque, se ele existisse, Deus não existiria; um exclui necessariamente o outro.



Como assim?


- Se o demônio é eterno como Deus, há dois seres eternos. Ora a coexistência de duas eternidades é impossível; ela seria uma contradição na ordem metafísica. Esses dois deuses, um do bem, outro do mal, lembram a teoria oriental dos dois princípios: é uma reminiscência do dualismo dos maniqueus. Se, ao contrário, o demônio é uma criatura de Deus, Deus se torna responsável diante da humanidade de todo o mal que o demônio tem feito e fará ainda, eternamente. É a mais clamorosa injúria que se possa fazer a Deus, pois que é negar sua justiça e sua bondade. Há maus Espíritos, já o dissemos acima, que impelem ao mal o homem que a ele é propenso; mas o demônio, considerado como a personificação individual do mal, não existe.



Entretanto, a Igreja não ensina e afirma o caráter satânico de certas manifestações espíritas?


- A Igreja tem uma única palavra para explicar o que não compreende: Satã. No decorrer dos séculos, a Igreja sempre atribui a Satã todas as invenções do gênio, desde a do vapor às da estrada de ferro e da eletricidade. Está em sua lógica habitual e em sua característica dizer que os fenômenos do magnetismo e as revelações espíritas são obra de Satã. Todavia, apesar dos anátemas da Igreja, a ciência progride, o gênio do homem evolui e o Espiritismo se tornará à fé universal do futuro.



Retirado do livro 'Síntese Doutrinária' – Léon Denis


O suicídio de um ateu (Parte 2)



...CONTINUAÇÃO



O resultado dessas duas evocações, sendo transmitido à pessoa que nos pedira para fazê-las, recebemos dela a resposta seguinte:


“Não podeis crer, senhor, o grande bem produzido pela evocação de meu sogro e de meu tio. Reconhecemo-los perfeitamente; sobretudo a escrita do primeiro tem uma analogia marcante com aquela que tinha quando vivo, tanto melhor que, durante os últimos meses que passou conosco, ela era brusca e indecifrável; nela se encontra a mesma forma das pernas das letras do parágrafo e de certas letras, principalmente os d, f, o, p, q, t.


Quanto às palavras, às expressões e ao estilo, é ainda mais surpreendente; para nós a analogia é perfeita, senão que está mais esclarecido sobre Deus, a alma e a eternidade que negava tão formalmente outrora.


Estamos perfeitamente convencidos de sua identidade; Deus nisso será glorificado pela vossa crença mais firme no Espiritismo e nossos irmãos, Espíritos ou viventes, com isso se tornarão melhores. A identidade de seu irmão não é menos evidente; com a diferença imensa do ateu ao crente, reconhecemos o seu caráter, o seu estilo, as suas formas de frases; uma palavra sobretudo nos surpreendeu, é a de panacéia; era a sua palavra habitual; ele a dizia e repetia a todos e a cada instante.


Comuniquei essas duas evocações a várias pessoas que se surpreenderam com a sua veracidade; mas os incrédulos, aqueles que partilham as opiniões de meus dois parentes, gostariam de respostas ainda mais categóricas; que o Sr. D..., por exemplo, precisasse o lugar onde foi enterrado, aquele onde se afogou, de qual maneira fez isso etc.


Para satisfazê-los e convencê-los, não poderíeis evocá-lo de novo, e, nesse caso, poderíeis dirigir-lhe as perguntas seguintes: Onde e quando se cumpriu o seu suicídio? Quanto tempo ele permaneceu sob a água? - Em que lugar seu corpo foi encontrado? - Em que lugar foi enterrado? – De que maneira, civil e religiosa, foi procedida a sua inumação? Etc.


Consenti, eu vos peço, senhor, fazer responder categoricamente a estas perguntas que são essenciais para aqueles que ainda duvidam; estou persuadido do bem imenso que isso produzirá. Espero que a minha carta vos chegue amanhã, sexta-feira, a fim de que possais fazer essa evocação na sessão da Sociedade que deve ocorrer nesse dia... etc.”


Reproduzimos esta carta, por causa de um fato de identidade que ela constata; a ela juntamos a resposta que demos, para a instrução de pessoas que não estão familiarizadas com as comunicações de além-túmulo:


“... As perguntas que pedis para serem dirigidas de novo ao Espírito de vosso sogro, são, sem dúvida, ditadas por uma louvável intenção, a de convencer incrédulos; porque, em vós não se mistura nenhum sentimento de dúvida e de curiosidade; mas, um mais perfeito conhecimento da ciência espírita vos faria compreender que elas são supérfluas.


Primeiro, pedindo-me para responder categoricamente ao senhor vosso padrasto, ignorais sem dúvida que não se governa os Espíritos à vontade; eles respondem quando querem, como querem, e, freqüentemente, como podem; a sua liberdade de ação é ainda maior do que quando vivos, e têm mais meios para escaparem ao constrangimento moral do que se poderia exercer sobre eles.


As melhores provas de identidade são aquelas que eles dão espontaneamente, por sua própria vontade, ou que nascem de circunstâncias, e é, na maioria do tempo, em vão que se procure provocá-los. Vosso parente provou a sua identidade de maneira irrecusável, segundo vós; é, pois, mais que provável que recusaria responder a perguntas que, com razão, pode olhar como supérfluas e tendo em vista satisfazer a curiosidade de pessoas que lhe são indiferentes.


Ele poderia responder, como freqüentemente fazem outros Espíritos em semelhante caso: “Por que me perguntar coisas que sabeis?” Acrescentarei mesmo que o estado de perturbação e de sofrimento, em que se encontra, deve lhe tornar mais penosas as procuras desse gênero; é absolutamente como se se quisesse constranger um enfermo que pode com dificuldade pensar e falar, a contar detalhes de sua vida; isso seria, seguramente, faltar à consideração que se deve em sua posição.


Quanto ao resultado que esperais, seria nulo, estejais disto persuadido. As provas de identidade que foram fornecidas têm um valor bem maior, por isso mesmo que são espontâneas e que nada podia colocar sobre o caminho; se os incrédulos com elas não estão satisfeitos, não o estariam mais, talvez menos ainda, por perguntas previstas e que poderiam suspeitar de conivência.


Há pessoas a quem nada pode convencer; elas veriam com seus olhos o Sr. vosso sogro em pessoa, e se diriam um joguete de alucinação. O que há de melhor a fazer com eles é deixá-los tranqüilos e não perder seu tempo com discursos supérfluos; não há senão que lamentá-los, porque não aprenderão senão muito depressa, às suas custas, o que custa por ter recusado a luz que Deus lhes enviava; é contra estes, sobretudo, que Deus faz manifestar-se a severidade.


Duas palavras ainda, senhor, sobre o pedido que me fazeis de fazer essa evocação, no mesmo dia em que recebesse a vossa carta. As evocações não se fazem assim com uma varinha; os Espíritos não respondem sempre ao nosso chamado; é necessário, para isso, que possam ou que queiram; é necessário, além do mais, um médium que lhes convenha e que tenha aptidão especial necessária; que esse médium esteja disponível no momento dado; que o meio seja simpático ao Espírito etc. Todas as circunstâncias pelas quais não se pode nunca responder, e que importa de conhecer quando se quer fazer a coisa seriamente.”


Fonte: Revista Espírita (Fevereiro de 1861) – Allan Kardec

(Conversas familiares de além-túmulo)


O suicídio de um ateu (Parte 1)



O Sr. J. B. D., evocado a pedido de um de seus pais, era um homem instruído, mas imbuído ao último grau de idéias materialistas, não crendo nem em sua alma nem em Deus. Afogou-se voluntariamente há dois anos.


1. Evocação.


R. Eu sofro! Sou condenado.


2. Fomos rogados a vos chamar, da parte de um de vossos parentes, que deseja conhecer a vossa sorte; quereis nos dizer se a nossa evocação vos é agradável ou penosa?


R. Penosa.


3. A vossa morte foi voluntária?


R. Sim.


Nota: O Espírito escreveu com extrema dificuldade; a escrita era muito grande, irregular, convulsiva e quase ilegível. No seu início, mostra cólera, quebra um lápis e rasga o papel.


4. Tende mais calma; todos nós rogamos a Deus por vós.


R. Eu sou forçado em acreditar em Deus.


5. Que motivo pôde vos levar a vos destruir?


R. Aborrecimento da vida sem esperança.


Nota: Concebe-se o suicídio quando a vida é sem esperança; quer-se escapar da infelicidade a todo preço; com o Espiritismo, o futuro se abre e a esperança se legitima; o suicida não tem, pois, mais objetivo: bem mais, reconhece-se que, por esse meio, não se escapa de um mal senão para cair em um outro que é cem vezes pior. Eis porque o Espiritismo já arrancou tantas vítimas à morte involuntária. Estão, pois, errados, e são sonhadores aqueles que procuram, antes de tudo, o fim moral e filosófico? São culpáveis aqueles que se esforçam em acreditar por sofismas científicos, e supostamente em nome da razão, essa idéia desesperadora, fonte de tantos males e de crimes, que tudo acaba com a vida! Serão responsáveis, não só pelos seus próprios erros, mas de todos os males dos quais tiverem sido a causa.


6. Quisestes escapar às vicissitudes da vida; com isso ganhastes alguma coisa? Sois mais feliz agora?


R. Por que o nada não existe?


7. Quereis ser bastante bom para nos descrever a vossa situação, o melhor que puderdes.


R. Eu sofro por estar obrigado a crer em tudo o que negava. A minha alma está como num braseiro; ela está horrivelmente atormentada.


8. De onde vos vieram as idéias materialistas que tínheis quando vivo?


R. Numa outra existência, eu fui mau, e o meu Espírito estava condenado a sofrer os tormentos da dúvida durante a minha vida; também me matei.


Nota: Há aqui toda uma ordem de idéias. Pergunta-se, freqüentemente, como pode haver materialista, uma vez que tendo já passado pelo mundo espírita dever-se-ia ter dele a intuição; ora, é precisamente essa intuição que é recusada, como castigo a certos Espíritos que conservaram o seu orgulho, e não se arrependeram de suas faltas. A Terra, é preciso que não se esqueça, é um lugar de expiação; eis porque ela encerra tantos maus Espíritos encarnados.


9. Quando vos afogastes, que pensáveis que vos adviria? Que reflexões fizestes naquele momento?


R. Nenhuma; era o nada para mim. Vi depois que não tendo cumprido a minha pena, sofri toda a minha condenação, e a irei ainda muito sofrer.


10. Agora estais bem convencido da existência de Deus, da alma e da vida futura?


R. Ai de mim! Não sou senão muito atormentado por isso!


11. Tornastes a ver a vossa mulher e o vosso irmão?


R. Oh! Não.


12. Por que isso?


R. Por que reunir os nossos tormentos? Exila-se na infelicidade, não se reúne senão na felicidade; ai de mim!


13. Ficaríeis satisfeito em rever o vosso irmão, que poderíamos chamar aqui, ao vosso lado?


R. Não, não; eu estou muito baixo.


14. Por que não quereis que o chamemos?


R. É que ele não é feliz, ele não mais do eu.


15. Temeis a sua visão; entretanto, isso poderia vos fazer bem?


R. Não; mais tarde.


16. Vosso parente me pede para vos perguntar se assististes ao vosso enterro, e se ficastes satisfeito com o que ele fez nessa ocasião?


R. Sim.


17. Desejais lhe dizer alguma coisa?


R. Que se ore um pouco por mim.


18. Parece que na sociedade que freqüentáveis, algumas pessoas partilham as opiniões que tínheis quando vivo; teríeis alguma coisa a lhes dizer a esse respeito?


R. Ah! Os infelizes! Possam crer em uma outra vida! É o que posso desejar-lhes de mais feliz; poderiam compreender a minha triste posição, isso os faria refletir muito.


Evocação do irmão do precedente, professando as mesmas idéias, mas que não se suicidou. Embora infeliz, é mais calmo; sua escrita é limpa e legível.


19. Evocação.


R. Possa o quadro de nossos sofrimentos vos ser uma lição útil, e vos persuadir de que existe uma outra vida, onde se expiam as suas faltas, a sua incredulidade!


20. Vós e o vosso irmão que acabamos de chamar vos vedes reciprocamente?


R. Não, ele me foge.


21. Estais mais calmo do que ele; poderíeis nos dar uma descrição mais precisa dos vossos sofrimentos?


R. Sobre a Terra não sofreis em vosso amor-próprio, em vosso orgulho, quando sois obrigado a convir com os vossos erros? O vosso Espírito não se revolta ao pensamento de vos humilhar diante daquele que vos demonstrou que estais no erro? Pois bem! O que credes que sofre o Espírito que, durante toda uma existência, persuadiu-se de que nada existe depois dele, que ele tem razão contra todos? Quando de repente se encontra em face da estrondosa verdade, ele é aniquilado, humilhado. A isso vem se juntar o remorso por ter podido, por tanto tempo, esquecer a existência de um Deus tão bom, tão indulgente. Seu estado é insuportável; não encontra nem calma, nem repouso; não reencontrará um pouco de tranqüilidade senão no momento em que a graça santa, quer dizer, o amor de Deus, o tocar, porque o orgulho se apodera de tal modo do nosso Espírito, que o envolve inteiramente, e é preciso ainda muito tempo para se desfazer dessa vestimenta fatal; o que não é senão as preces de nossos irmãos que pode nos ajudar a dele nos desembaraçarmos.


22. Quereis falar dos vossos irmãos vivos ou em Espírito?


R. De uns e de outros.


23. Enquanto conversávamos com o vosso irmão, uma pessoa aqui presente orou por ele; essa prece lhe foi útil?


R. Ela não estará perdida. Se ele recusa a graça agora, isso lhe virá, quando estiver em estado de recorrer a esta divina panacéia.


Fonte: Revista Espírita (Fevereiro de 1861) – Allan Kardec

(Conversas familiares de além-túmulo)


CONTINUA...