A história de Júlio (Parte 2)


Na minha encarnação anterior tive por pais os mesmos espíritos que o foram nesta última.


Eles formavam uma família feliz. Meus pais, casados há anos, viviam harmoniosamente, tinham duas filhas casadas e netos, quando mamãe engravidou. Embora surpresos, achando-se velhos, me receberam como presente de Deus. Foram excelentes pais, me amaram, cuidaram de mim, me educaram, dando ótimos exemplos. Cresci forte, sadio e inteligente.


Espírito inquieto, não dei valor a nada que recebia. Achava meus pais velhos, “caretas” e me envergonhava deles. Era respondão, às vezes bruto com eles. Achava que me enchiam.


Estudava numa universidade e comecei a consumir drogas. Não tinha motivos como desculpas. Não existem motivos para entrar no vício, mas alguns viciados arriscam algum fator para se justificar. Quis sensações novas e achei que nunca ia me tornar dependente delas. Das leves às pesadas, me viciei, porém achava que as largaria quando quisesse. Comecei a gastar mais dinheiro e mentia aos meus pais, dizendo que era para o estudo. Não desconfiavam e me davam, privando-se até de remédios.


Foi então que ocorreu o acidente. Numa viagem de fim de semana, meus pais desencarnaram juntos num acidente de trem.


Senti a falta deles, mais ainda do que eles faziam por mim. Não quis morar com minhas irmãs, fiquei sozinho na nossa casa. Formei-me dois meses depois e arrumei um emprego. Mas passei a me drogar cada vez mais. E agora não escondia e as usava em casa.


- Júlio, por favor, pare com isso! Pense em nossos pais! — diziam minhas irmãs, preocupadas.


- Não sou um viciado! Uso-as porque quero e paro quando quiser — respondia rudemente.


Minhas irmãs, cunhados e até sobrinhos, ao saberem, tentaram me ajudar. Passei a ser violento, não aceitei a intromissão deles.


Não produzia no trabalho e, como faltava muito, fui demitido e passei a consumir cada vez mais tóxicos; me tornei um farrapo humano. Fui vendendo tudo o que era de valor em casa, não comprei mais alimentos, minhas irmãs que os traziam, como também passaram a pagar as despesas da casa e alguns débitos meus. Mesmo assim, não gostava dos meus familiares, não queria vê-los, os evitava e quando vinham em casa os expulsava violentamente. Senti que eles planejavam me internar. Então, achando que a vida estava insuportável, resolvi me suicidar. Tomei uma overdose. Mas não morri, passei mal. Quando melhorei, levantei-me; estava deitado no tapete da sala. A casa estava uma anarquia. Tomei remédios, todos que encontrei, o resto de heroína e uma bebida alcoólica, deitei de novo, certo de que dessa vez ia morrer.


Desencarnei logo, mas era de noite. No outro dia minha irmã veio com a ambulância para me levar e acharam meu corpo morto.


Perturbei-me extremamente. Quando saí do torpor, senti-me preso, no escuro, com cheiro insuportável. Meu corpo estava enterrado e eu ligado a ele. Somos espíritos revestidos do perispírito e encarnados no corpo físico. Quando o corpo carnal morre, o deixamos e este parece somente uma roupa usada. Continuamos a viver espiritualmente revestidos com o corpo perispiritual. Isso é o que normalmente acontece. Mas há os que abusam e imprudentemente, como eu, danificam o corpo físico, a abençoada roupa que nos é dada para nos manifestarmos no campo material. Não fui desligado e fiquei junto ao corpo, sofrendo atrozmente.


Lembrei-me dos meus pais, do amor deles por mim e chorei; chamei por eles:


Mamãe! Papai! Acudam-me!”


Senti-me tirado dali, parecia que fiquei ali séculos e não meses.


Não consegui me recuperar. Internado num hospital para suicidas, estava perturbado demais. Não tinha desculpa e não quis me perdoar. Que havia feito do meu corpo perfeito? Danifiquei-o com as drogas. Não merecia outro perfeito.


Faço uma ressalva, esta é minha história, que ocorreu comigo. Isso não acontece com todos que foram viciados nem com todos os suicidas. Mas normalmente estes sofrem muito, se os encarnados tivessem consciência disso, não se drogariam nem se suicidariam.


Meus pais preocuparam-se comigo. Amavam-nos muito, a mim e a todos os familiares.


Tiveram uma desencarnação violenta num acidente brutal. Foram socorridos pelos seus merecimentos. Sentiram que eu estava mal, então souberam que era viciado. Tentaram me ajudar, porém essa ajuda é restrita ao livre-arbítrio do necessitado. Pediram auxílio mentalmente às outras filhas, elas tentaram, ignoraram as ofensas e tudo fizeram, até se sacrificaram financeiramente, venderam bens para pagar meus débitos e para ter dinheiro para me internar.


Meus pais viram tristemente meu suicídio. Só quando me comovi ao lembrar deles é que puderam desligar-me da matéria podre e me socorrer.


Entenderam que só melhoraria na matéria. Estava tão perturbado, me desorganizei tanto que só me recuperaria no corpo físico. Com o esquecimento, me organizaria, encarnado recuperaria o que por livre vontade desordenei, danifiquei.


Meus pais reencarnaram unidos por um carinho profundo, casaram novamente e me receberam alegremente por filho.


Do livro “Deficiente mental, porque fui um?” (Cap. 2) - Ditado por diversos espíritos - Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck Carvalho - Editora Petit



A história de Júlio (Parte 1)


Fui muito amado! Meus pais se desdobravam em atenção e cuidado para comigo. Fui o segundo filho deles. O primeiro, meu único irmão, Júnior, era perfeito e muito bonito.


Não tenho muitas lembranças do período em que estive encarnado com deficiência.


Fixo minha mente para recordar, sinto a sensação de que estava preso num saco de carne mole e disforme. Parecia que, ao estar encarnado, estava restrito a uma situação desconfortável e sofrida, porém sabia ser melhor que meu estado anterior, o de desencarnado.


Realmente estava restrito, era deficiente físico e mental. Tive paralisia cerebral.


Lembro que cuidaram de mim com ternura imensa, gostava quando falavam comigo, me acariciavam.


Meus pais tentaram de tudo para que eu melhorasse, fisioterapias, especialistas e cuidados especiais.


Vivi três anos e seis meses nesse corpo que agora bendigo, que serviu para que me organizasse do tremendo desajuste em que eu me encontrava. Não andei, não falei, ouvia e enxergava pouco e era portador de muitas doenças no aparelho digestivo.


Uma pneumonia me fez desencarnar.


Recordo pouco essa minha permanência na carne. É como recordar adulto a primeira infância, O desconforto muito me marcou, como também o imenso amor que meus pais tiveram e têm por mim.


Socorrido ao desencarnar por socorristas, fui levado a um hospital de uma colônia.


Estive internado numa ala especializada em crianças e deficientes. Lembro-me que lá sentia a falta da presença física de meus pais. Eles foram levados muitas vezes para me ver. Alegrava-me com essas visitas.


Meus pais, pessoas boas e com alguns conhecimentos espirituais, puderam, enquanto dormiam, ser desligados do corpo físico e vir me ver. Foram encontros emocionantes. Isso é possível acontecer com muitos pais saudosos. Infelizmente poucos recordam esses comovidos encontros.


Recuperei-me. Com o carinho dos tios, trabalhadores do hospital, sarei das minhas deficiências. Retornei à aparência que tinha na encarnação anterior, antes de ter começado com meu vício e danificado meu corpo sadio.


Dessa vez gostei de estar desencarnado e mais ainda do hospital.


Normalmente em todas as colônias há no hospital uma parte onde são abrigados os que foram deficientes mentais quando encarnados, isso para que recebam tratamento especial para se recuperarem.


Ressalvo que muitos ao desencarnarem não têm o reflexo da doença ou das doenças e ao serem desligados da matéria morta são perfeitos, nem passam pelos hospitais. Infelizmente não foi o meu caso. Necessitei me recuperar, após um ano e dois meses estava tendo alta e fui para uma ala no Educandário para jovens.


Vou descrever a parte do hospital em que fui abrigado.


Os quartos são grandes, ficam juntos muitos internos. Não é bom ficar sozinho, é deprimente. Gostava de ter companhia, de ficar com os outros. Logo me tornei amigo deles.


As colônias não são todas iguais. Tudo nelas é visando o bem-estar de seus abrigados. Mas em todas há lugares básicos, como nas cidades dos encarnados, que têm escolas, hospitais, praças, ruas etc. Nas colônias também, só que com mais conforto, bem-estruturados, grandes e bonitos. Visitando tempos depois hospitais em outras colônias, vi que todas são aconchegantes, diferenciando-se nas repartições, no tamanho e nos adornos.


Você, Júlio, não é mais doente. É sadio! Tem de se sentir sadio! Vamos tentar?”, dizia para mim Suely, uma das “tias”, sorrindo encantadoramente.


A deficiência estava enraizada em mim, necessitei entender muitas coisas para sanar seus reflexos.


Quando comecei a falar, passei a escutar e a enxergar normalmente e logo a andar.


O quarto em que estava, como todos os outros, tem a porta grande, sempre aberta, que dá para um jardim-parque com muitas árvores, flores, brinquedos e animais dóceis e lindos.


Nesse jardim há sempre muita claridade e brincadeiras organizadas. Ali há um palco onde há danças, aulas de canto, música e teatro. Do outro lado dos quartos estão as salas de aula. Gostei muito de ficar ali, naquela parte do hospital. Foi meu lar no período em que estive internado. Encantava-me com o jardim-parque e foi me divertindo sadiamente que me recuperei com certa facilidade. As brincadeiras fazem parte da recuperação. Não existem medicamentos como para os encarnados. Não senti mais dores nem desconforto.


O interno é transferido dali quando quer ou quando se sente apto. Sentindo-me bem, fui transferido, mudei para a ala jovem do Educandário, como já mencionei, onde estudei e passei a fazer tarefas.


Quando meu curso terminou, pedi para trabalhar na ala do hospital para recuperação de desencarnados que na carne foram viciados em tóxicos. Esse meu pedido tinha razão de ser. Fiquei contente por ter sido aceito e passei a trabalhar com toda a dedicação.


Na minha penúltima encarnação tive meu corpo físico perfeito. Que fiz dele? Recordei.


Quando estava me recuperando no hospital, as lembranças vieram normalmente. Como “tia” Suely explicou-me, recordar não acontece com todos. Muitos recuperados voltam a reencarnar sem lembrar de nada do passado.


Lembrei-me sozinho, sem forçar o meu passado, e “tia” Suely me ajudou a entendê-lo e não “encucar”, pois o passado ficou para trás e só podemos tirar lições para o presente.


Principalmente no meu caso, tentar acertar e não repetir os mesmos erros.


(Do livro “Deficiente mental, porque fui um?” (Cap. 2) - Ditado por diversos espíritos - Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck Carvalho - Editora Petit)


* * *

Para saber mais sobre hospitais em colônias espirituais, leia o livro:



Três Arco-íris – Uma Colônia de Luz

Ditado pelo Espírito Josué

Psicografia: Eurípedes Kühl

Editora Petit



Texto Antidepressivo




Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.


Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.


Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.


Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias.


Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.


Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.


Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.


Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.


Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.


Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.


André Luiz

(Da obra “Busca e Acharás” - Chico Xavier)


* * *


Tudo tem seu apogeu e seu declínio... É natural que seja assim; todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela!... Novas folhas, novas flores, na indefinida bênção do recomeço!...” Chico Xavier



A Eutanásia


Aguardávamos com ansiedade os fins de semana, ou melhor dizendo, as sextas-feiras para irmos a Uberaba, o que acontecia a cada quinze dias, para visitar e buscar lições de vida do querido médium Chico Xavier.


A chegada era sempre de alegria pelos encontros com os companheiros das diversas partes de cidades ou até mesmo de estados, que dirigiam Casas Espíritas e também buscavam orientações para as mesmas. E tudo se completava com a entrada a Comunhão Espírita Cristã, pela luz radiosa desse servidor de Jesus, Chico Xavier.


A aglomeração de imediato se fazia sobre ele. Todos queriam abraçá-lo, mas em seguida havia uma alma bondosa, um jovem que, com educação, pedia a todos que fizessem fila para ordenar os cumprimentos. E Chico sempre surpreendia aos presentes, pois muitas vezes ele, erguendo a cabeça, chamava uns e outros pelo nome, o que deixava as pessoas assombradas, porque em muitas ocasiões ouvíamos as pessoas dizerem: "Como ele me chama, se eu nunca estive aqui?!..." E era sempre assim. Surpresas nas colocações que ele fazia em torno de acontecimentos das vidas daquelas muitas pessoas que ali se encontravam, que nem abriam a boca e recebiam o conforto que vinham buscar.


E Chico, para manter um ambiente espiritual favorável aos benfeitores daquela casa, levantava conversações que eram verdadeiras elucidações doutrinárias.


Houve uma ocasião em que o assunto ali mencionado era sobre o suicídio ou mortes prematuras. Todos opinávamos e ouvíamos a conclusão feita pelas sábias palavras do médium, quando um vozerio tomou conta do local.


Era a chegada de uma ambulância, que logo após deu lugar a um enfermeiro descendo uma maca acompanhada por um médico. Abriu-se de imediato a passagem, e todos vimos a paciente sendo conduzida até a presença de Chico. O que nos impressionou era ver seu corpo todo chagado e seu rosto também ulcerado num tom arroxeado, numa expressão de dor.


Chico aproximou-se da maca e, olhando fixamente para a doente, levantou as mãos e numa atitude de bênçãos, falou-lhe mansamente:


- Minha filha, tenha fé, essa sua reencarnação é também o momento de sua redenção junto a Deus.


O médico, puxando o médium pelo braço, para ficar mais distante da doente, disse calmamente:


- Chico, viemos até aqui, porque precisamos ouvi-lo por causa de um problema muito grave, que a família dessa paciente nos colocou em mãos. Você vê que esse caso para a medicina não tem cura. Os familiares, sabedores desse sofrimento terrível que passou a ser de todos, pediram-nos para abreviar-lhe a vida.


Chico olhou espantado para o médico e, numa reação espontânea, exclamou:


- Como?! Pedem-lhe para que seja praticada a eutanásia?! É essa a preocupação dos familiares?!


O médico, sem mais delongas, prosseguiu:


- Sim, Chico, é justamente isso. Querem que a morte seja mais rápida. Mas como sou temente a Deus, pedi-lhes mais alguns dias, porque precisava ouvi-lo a respeito.


O médium, olhando a paciente e sentindo as lágrimas a correr-lhe dos olhos, falou piedosamente:


- Doutor, quem somos nós para decidir sobre a vida humana! Que bom que o senhor é temente a Deus. Mas lembre-se que seu dever é salvar vidas. Não foi esse o seu juramento ao receber seu diploma? Mas, que bom, repito, que veio até aqui, porque nosso Emmanuel, ao nosso lado, explica algo muito importante...


E Chico, aproximando-se da doente que não podia falar pelas dores internas que sentia, transmitiu o recado de Emmanuel para que ela e todos pudéssemos ouvir...


Disse-nos o benfeitor:


- Diga ao nosso caro doutor que a nossa irmã nunca esteve tão bem como agora, porque nas suas três últimas reencarnações ela fora suicida. E nessa quarta reencarnação, apesar dessa prova expiatória, Deus lhe concedeu a misericórdia de vir com o corpo aprisionado em chagas, desde seu retorno à Terra, e ela até agora não pensou em suicídio, pois quer viver para vencer seu processo obsessivo e alcançar perante Deus o perdão por querer justiçar-se por si própria.


Estávamos todos mudos pelo exemplo vivo que Jesus nos enviara, a respeito da lição preparatória.


E a mulher chagada num gesto de carinho e reconhecimento ao médium, com dificuldade, pegou-lhe a mão, beijando-a por ajudá-la a continuar viver até que Deus determinasse seu retorno à pátria espiritual.


- Retirado do blog Espirinauta -


Aflições...



Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Jesus (Marcos, 8:34)


No estudo do versículo acima, vamos nos ater à recomendação de Jesus: “Tome a sua cruz e siga-me”. A cruz, no plano físico, são as dificuldades, as aflições, os sofrimentos, enfermidade, o degrau social, o parente infeliz; problemas de relacionamento, carências financeiras, desemprego etc.

Considerando que o Espírito reencarna para evoluir, para desenvolver suas potencialidades, é natural o trabalho, a luta, a dificuldade, pois é assim que se exercita e se desenvolve. Do contrário, acomodar-se-ia. É o que ocorre com o aluno na escola, ou com o esportista na prática de seu esporte preferido. Tem que lutar muito para fazer progressos na atividade a que se dedica.

Não é só no plano físico que experimentamos aflições. No plano espiritual isto também ocorre. Lá – informam os instrutores espirituais – a cruz é a vergonha do defeito íntimo não vencido; a expiação da culpa; saber que ainda não se é feliz por falta de experiências e vivências no Bem.

Na Terra, a existência é uma luta constante. Em todas as fases da vida, desde a infância, a adolescência, a mocidade, a madureza até a velhice, cada etapa tem suas belezas, o lado bom, mas tem as dificuldades, os desafios. Podemos receber os desafios e dificuldades como lições, recursos educativos que a Providência Divina nos confia, a favor do nosso crescimento, e podemos (e é o que geralmente se faz), considerá-los como aflições, dor, sofrimento simplesmente.

A Doutrina Espírita nos esclarece que a dor é processo; a perfeição é fim. A finalidade do sofrimento é o aperfeiçoamento espiritual. Aceito este princípio, haverá melhores condições para superar as dificuldades, pois que tem um fim útil: nossa evolução espiritual e, consequentemente, a felicidade que almejamos. Sim porque a felicidade que buscamos não está fora de nós, naquilo que detemos, e sim no nosso íntimo, no despertamento espiritual.

Nesta ordem de raciocínio, como caminheiros da evolução, cada qual tem a sua cruz, com o fim de resgatar dívidas do passado, ou de nos levar a experiências, a aprendizados com vistas a conquista de mais sabedoria e amor.

A causa de nossas aflições está em nós mesmos. Podemos, no passado, ter agido em desacordo com a lei e estamos na oportunidade de resgatar a dívida; ou porque carecemos crescer, subir as escadas do progresso, precisamos enfrentar as provações, as dificuldades para conseguir o desejado crescimento.

Quando o ser adquire consciência de sua própria responsabilidade, busca sua melhoria íntima. Procura se conhecer; corrigir suas imperfeições, sanar os pontos falhos. Sabe que vive as situações que ele mesmo criou, ao longo do tempo. Colhe o que planta. Não procura culpar outras pessoas.

De um modo geral, as pessoas acham que não são felizes por causa de outros. O patrão culpa o empregado; este culpa àquele; a mulher responsabiliza o marido e este se queixa da esposa. Culpamos a economia, o governo, enfim todos são culpados, menos nós. Enquanto agimos assim, nos movimentamos à feição de semi-racionais. Resolvemos um problema, criando outro.

Faz lembrar a lenda mitológica do deus grego, Sísifo que tinha a peculiar qualidade de resolver seus problemas criando outros problemas. Certa feita, diante de uma de suas trapalhadas, lhe foi determinado, como punição, rolar uma pedra, montanha acima. Quando chegasse ao pico do monte seu problema estaria solucionado. Aceitou a decisão, pois tinha a eternidade pela frente. Rolaria a pedra e quando a colocasse no local determinado estaria livre. Mas, para sua surpresa, quando chegou ao pico do monte, a pedra lhe escapou do controle e rolou montanha abaixo, voltando à base. Diz a lenda que ele permanece até hoje, rolando a pedra, tentando colocá-la no pico da montanha.

Estudiosos do psiquismo humano nos afirmam que não existe uma realidade exterior, fixa, igual para todos. Cada um percebe as pessoas e as situações conforme sua capacidade de percepção. Cada um vê os outros e o mundo pelas lentes dos olhos do seu mundo íntimo. Só vemos o que conhecemos, o que já temos sensibilidade e capacidade para compreender.

Daí a afirmativa de André Luiz: “À medida em que melhoramos, tudo melhora em torno de nós”. As pessoas e situações externas podem continuar sem grandes modificações, mas se a pessoa se modifica, interiormente, para melhor, passa a sintonizar com a parte melhor das situações e das outras pessoas. Para ela, tudo mudou realmente.

Acordando para a necessidade da paz consigo mesmo, o ser toma a cruz que lhe cabe ao próprio burilamento, e busca seguir Jesus, superando suas aflições.


Fonte: Verdade e Luz, edição nº 195 – Abril de 2002

(Retirado do site OSGEFIC)


* * *

Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício de sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso.”

(A Gênese – Allan Kardec – Capítulo 3 – Item 5)


Necessidades Reais



Onde situes os teus interesses, em torno d’Eles circularão as tuas necessidades.


Onde tenhas o pensamento, ali porás a emoção.


Indispensável repensar as aspirações de maneira a fixar apenas aquelas que trabalham para a tua realização profunda.


*


A ambição conduz ao tresvario.


A avareza leva à mesquinharia.


A sensualidade brutaliza.


A indolência entorpece os sentimentos.


A gula desajusta a máquina orgânica.


O egoísmo encarcera o ser.


O orgulho envenena o homem.


O vício destrambelha os equipamentos do corpo e da alma.


O ódio enlouquece a criatura.


O ciúme deforma a visão da realidade.


*


O que mais anelas e pensas corporifica-se e passa a dominar-te interiormente.


Tens um compromisso com a vida, assim como esta dispõe de uma tarefa para ti.


Ausculta as tuas necessidades reais e olha em derredor.


Possuis mais do que precisas, enquanto muitos carecem mais do que dispõem.


Não apenas em recursos materiais, mas, também, em conhecimentos, educação, discernimento, capacidade de serviço, razão...


*


Há, no mundo, mais escassez de paz do que de pão.


Há mais solidão do que companheirismo.


Faltam mais os valores morais do que os bens materiais.


Estes últimos são os efeitos infelizes dos primeiros.


...E porque são escassas a equanimidade e a justiça, abundam a miséria e a ignorância.


*


Não postergues indefinidamente o teu momento de entrega, de por-te em relação com o melhor tesouro, pois onde o depositares, “aí estará o teu coração”, conforme acentuou Jesus, facultando-te ou não felicidade.


Joanna de Ângelis

Livro “Momentos de Meditação”

Psicografia: Divaldo Franco



Curas de Obsessões (Parte 2 de 2)


Os casos de obsessão são de tal modo frequentes que não há nenhum exagero em dizer que nas casas de alienados há mais da metade deles que não têm senão a aparência da loucura, e sobre os quais a medicação comum é, por isto mesmo, impotente.


O Espiritismo nos mostra na obsessão uma das causas perturbadoras do organismo, e nos dá, ao mesmo tempo, os meios de remediá-la: aí está um de seus benefícios. Mas como essa causa pode ser reconhecida se não for pelas evocações? As evocações, são, pois, boas para alguma coisa, o que quer que digam delas seus detratores.


É evidente que aqueles que não admitem nem a alma individual, nem a sua sobrevivência, ou que, se as admite, não se dão conta do estado do Espírito depois da morte, devem olhar a intervenção dos seres invisíveis em semelhantes circunstâncias, como uma quimera; mas o fato brutal do mal e das curas aí está.


Poder-se-ia colocar à conta da imaginação as curas operadas à distância, sobre pessoas que jamais se viram, sem emprego de nenhum agente material qualquer. A doença não pode ser atribuída à prática do Espiritismo, uma vez que ela atinge mesmo aqueles que nele não crêem, e crianças que dele não têm nenhuma ideia.


Não há, portanto, aqui nada de maravilhoso, mas efeitos naturais que existiram em todos os tempos, que não se compreendiam então, e que se explicam da maneira mais simples, agora que se conhecem as leis em virtude das quais se produzem.


Não se vêem, entre os vivos, seres maus atormentando outros mais fracos, até torná-los doentes, fazê-los morrer mesmo, e isto sem outro motivo senão o desejo de fazer o mal? Há dois meios de retornar a paz à vítima: subtraí-la da autoridade, à sua brutalidade, ou desenvolver nela os sentimentos do bem.


O conhecimento que temos agora do mundo invisível no-lo mostra povoado dos mesmos seres que viveram sobre a Terra, uns bons, os outros maus. Entre estes últimos, há os que se comprazem ainda no mal, em consequência de sua inferioridade moral e que não se despojaram ainda de seus instintos perversos; estão em nosso meio como quando vivos, com a única diferença de que em lugar de terem um corpo material visível, têm um corpo fluídico invisível; mas não são, por isto, menos os mesmos homens, no sentido moral pouco desenvolvido, procurando sempre as ocasiões de fazer o mal, se obstinando sobre aqueles que lhes dão presa e que acabam submetendo-se à sua influência; obsessores encarnados que eram, são obsessores desencarnados, tanto mais perigosos porque agem sem serem vistos.


Afastá-los pela força não é coisa fácil, tendo em vista que não se pode prendê-los pelo corpo; o único meio de dominá-los é o ascendente moral com a ajuda do qual, pelo raciocínio e os sábios conselhos, chega-se a torná-los melhores, por isto são mais acessíveis no estado de Espírito do que no estado corpóreo. Desde o instante em que são conduzidos a renunciarem voluntariamente a atormentar, o mal desaparece, se esse mal é o fato de uma obsessão; ora, compreende-se que não são nem as duchas, nem os remédios administrados ao doente que podem agir sobre o Espírito obsessor.


Eis todo o segredo dessas curas, para as quais não há nem palavras sacramentais, nem fórmulas cabalísticas: conversa-se com o Espírito desencarnado, se o moraliza, educa-o, como teria sido feito quando de sua vida. A habilidade consiste em saber prendê-lo segundo seu caráter, a dirigir com tato as instruções que são dadas, como o faria um instrutor experimentado.


Toda a questão se resume a isto: Há, sim ou não, Espíritos obsessores? A isto responde-se o que dissemos mais acima: Os fatos materiais aí estão.


Pergunta-se, às vezes, por que Deus permite aos maus Espíritos atormentarem os vivos. Poder-se-ia com tanto de razão perguntar por que permite aos vivos de se atormentarem entre si.


Perde-se muito de vista a analogia, as relações e a conexão que existem entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual, que se compõe dos mesmos seres sob dois estados diferentes; aí está a chave de todos esses fenômenos reputados sobrenaturais.


Não é preciso mais se espantar com as obsessões do que com as doenças e outros males que afligem a Humanidade; elas fazem parte das provas e das misérias que se prendem à inferioridade, do meio onde nossas imperfeições nos condenam a viver, até que estejamos suficientemente melhores para merecer dele sair. Os homens sofrem neste mundo as consequências de suas imperfeições, porque se fossem mais perfeitos, aqui não estariam.


Fonte: Revista Espírita, 1866 – Allan Kardec