FINADOS



Como a Doutrina Espírita encara o Dia de Finados?


Realmente o tema desperta algumas dúvidas. Mesmo alguns companheiros espíritas perguntam se devem ou não ir aos cemitérios no dia 2 de Novembro, se isto é importante ou não.


Antes de tudo, lembremos que o respeito instintivo do homem pelos desencarnados, os chamados mortos, é uma consequência natural da intuição que as pessoas têm da vida futura.


Não faria nenhum sentido o respeito ou as homenagens aos mortos se no fundo o homem não acreditasse que aqueles seres queridos continuassem vivendo de alguma forma. É um fato curioso que mesmo aqueles que se dizem materialistas ou ateus nutrem este respeito pelos mortos.


Embora o culto aos mortos ou antepassados seja de todos os tempos, Léon Denis nos diz que o estabelecimento de uma data específica para a comemoração dos mortos é uma iniciativa dos druidas, antigo povo que viveu na região que hoje é a França. Os druidas, um povo que acreditava na continuação da existência depois da morte, se reuniam nos lares, não nos cemitérios, no primeiro dia de novembro, para homenagear e evocar os mortos.


A noção de imortalidade que a maioria das pessoas tem, no entanto, ainda é confusa, fazendo com que as multidões se encaminhem para os cemitérios, como se o cemitério fosse a morada eterna daqueles que pereceram.


O Espiritismo ensina o respeito aos desencarnados como um dever de fraternidade, mas mostra que as expressões de carinho não precisam ser realizadas no cemitério, nem é necessário haver um dia especial para que tais lembranças ou homenagens sejam realizadas.


Mas para os espíritos desencarnados o dia 2 de Novembro tem alguma coisa mais solene, mais importante? Eles se preparam para visitar os que vão orar sobre os túmulos?


É preciso entender que nossa comunicação com os desencarnados é realizada através do pensamento. As preces, as orações, são vibrações do pensamento que alcançam os espíritos.


Nossos entes queridos desencarnados são sensíveis ao nosso pensamento. Se existe entre eles e nós o sentimento de verdadeira afeição, se existe esse laço de sintonia, eles percebem nossos sentimentos e nossas preces, independente de ser dia de finados ou não.


Esse é o aspecto consolador da Doutrina Espírita: a certeza de que nossos queridos desencarnados, nossos pais, filhos, parentes e amigos, continuam vivos e continuam em relação conosco através do pensamento.


Não podemos privar de sua presença física, mas o sentimento verdadeiro nos une e eles estão em relação conosco, conforme as condições espirituais em que se encontrem.


Realizaram a grande viagem de retorno à pátria espiritual antes de nós, nos precederam na jornada de retorno, mas continuam vivos e atuantes.


Um amigo incrédulo uma vez nos falou:


Só vou continuar vivo na lembrança das pessoas”.


Não é verdade. Continuamos tão vivos após a morte quanto estamos vivos agora. Apenas não dispomos mais deste corpo de carne, pesado e grosseiro.


Então, os espíritos atendem sim aos chamados do pensamento daqueles que visitam os túmulos. No dia 2 de Novembro, portanto, como nos informam os amigos espirituais, o movimento nos cemitérios, no plano espiritual, é muito maior, porque é muito maior o número de pessoas que evocam, pelas preces e pelos sentimentos, os desencarnados.


Questões sobre o tema:


- Se estes desencarnados pudessem se tornar visíveis, como eles se mostrariam?


Com a forma que tinham quando estavam encarnados, para que pudessem ser reconhecidos.


Não é raro que o espírito quando desencarne sofra ou provoque alterações na sua aparência, ou seja, no seu corpo espiritual. Espíritos que estão em equilíbrio mental e emocional podem se apresentar com uma aparência mais jovem do que tinham quando estavam encarnados, enquanto outros podem inclusive adotar a aparência que tinham em outra encarnação. Por outro lado, espíritos que estão em desequilíbrio podem ter uma aparência muito diferente da que tinham no corpo, pois o corpo espiritual mostra o verdadeiro estado interior do espírito.


- E quanto aos espíritos esquecidos, cujos túmulos não são visitados? Como se sentem?


Isto depende muito do estado do espírito. Muitos já reconhecem que a visita aos túmulos não é fundamental para se sentirem amados. Outros, no entanto, comparecem aos cemitérios na esperança de encontrar alguém que ainda se lembre deles e se entristecem quando se vêem sozinhos.


- A visita ao túmulo traz mais satisfação ao desencarnado do que uma prece feita em sua intenção?


Visitar o túmulo é a exteriorização da lembrança que se tem do espírito querido, é uma forma de manifestar a saudade, o respeito e o carinho. Desde que realizada com boa intenção, sem ser apenas um compromisso social ou protocolar, desde que não se prenda a manifestações de desespero, de cobranças, de acusações, como ocorre em muitas situações, a visitação ao túmulo não é condenável. Apenas é desnecessária, pois a entidade espiritual não se encontra no cemitério, e pode ser lembrada e homenageada através da prece em qualquer lugar. A prece ditada pelo coração, pelo sentimento, santifica a lembrança, e é sempre recebida com prazer e alegria pelo desencarnado.


- No ambiente espiritual dos cemitérios comparecem apenas os espíritos cujos corpos foram lá enterrados?


Não. Segundo as narrativas, o ambiente espiritual dos cemitérios fica bastante tumultuado no chamado Dia de Finados. E isto ocorre por vários motivos. Primeiro, como já dissemos, pela própria quantidade de pessoas que visitam os túmulos. Cada um de nós levamos nossas companhias espirituais, somos acompanhados pelos espíritos familiares. Depois, porque muitos espíritos que estão vagando desocupados e curiosos do plano espiritual também acorrem aos cemitérios, atraídos pelo movimento da multidão, tal como ocorre entre os encarnados. Alguns comparecem respeitosos enquanto outros se entregam à galhofa e à zombaria.


- E existem espíritos que permanecem fixados no ambiente do cemitério depois de sua desencarnação?


Sim, embora esta não seja uma ocorrência comum. Além disso, devemos nos lembrar que nos cemitérios, bem como em qualquer lugar, existem equipes espirituais trabalhando para auxiliar, dentro do possível, os que estão em sofrimento.


- Os espíritos dão alguma importância ao tratamento que é dado ao seu túmulo? As flores, os enfeites, as velas, os mausoléus, influenciam no estado espiritual do desencarnado?


Não. Somente os espíritos ainda muito ligados às manifestações materiais poderiam se importar com o estado do seu túmulo, e mesmos estes, em pouco tempo, percebem a inutilidade, em termos espirituais, de tais arranjos. O carinho com que são cuidados os túmulos só tem algum sentido para os encarnados, que devem se precaver para não criarem um estranho tipo de culto. Não devemos converter as necrópoles vazias em “salas de visita do além”. Há locais mais indicados para nos lembrarmos daqueles que partiram.


- E que tipo de local seria este?


O lar! Nossos entes familiares que já desencarnaram podem ser lembrados na própria intimidade e no aconchego de nosso lar, ao invés da frieza dos cemitérios e catacumbas. Eles sempre preferirão receber nossa mensagem de saudade e carinho envolvida nas vibrações do ambiente familiar. Qualquer que seja a situação espiritual em que eles se encontrem, serão alcançados pelo nosso pensamento. Por isso, devemos nos esforçar para, sempre que lembrarmos deles, que nosso pensamento seja de saudade equilibrada, de desejo de paz e bem-estar, de apoio e afeto, e nunca de desespero, de acusação, de culpa, de remorso.


- Mas a tristeza é natural, não?


Sim, mas não permitamos que a saudade se converta em angústia, em depressão. Usemos os recursos da confiança irrestrita em Deus, da certeza de Sua justiça e sua bondade. Deus é Amor, e onde haja a expressão do amor, a presença divina se faz. Vamos permitir que essa presença acalme nosso coração e tranquilize nosso pensamento, compreendendo que os afetos verdadeiros não são destruídos pela morte física, não são encerrados na sepultura. Dois motivos, portanto, para não cultivarmos a tristeza: sentimos saudades – e não estamos mortos; nossos amados não estão mortos – e sentem saudades...


Se formos capazes de orar, com serenidade e confiança, envolvendo a saudade com a esperança, sentiremos a presença deles entre nós, envolvendo nossos corações em alegria e paz.


Referências:

O Livro dos Espíritos - Allan Kardec (Questões 320 a 329).

Livro “Quem tem medo da morte?” - Richard Simonetti.


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Veja a mensagem sobre o dia de Finados postada aqui no blog o ano passado: CLIQUE AQUI.


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Conheça o site “Perda de Entes Queridos” - CLIQUE AQUI



O Homem Novo


Para construir um mundo novo precisamos de um homem novo. O mundo está cheio de erros e injustiças porque é a soma dos erros e injustiças dos homens.


Todos sabemos que temos de morrer, mas só nos preocupamos com o viver passageiro da Terra. Por isso, a humanidade desencarnada que nos rodeia é ainda mais sofredora e miserável que a encarnada a que pertencemos. “As filas de doentes que eu atendia na vida terrena — diz a mensagem de um espírito — continuam neste lado.”


Muita gente estranha que nas sessões espíritas se manifestem tantos espíritos sofredores. Seria de estranhar se apenas se manifestassem espíritos felizes. Basta olharmos ao nosso redor — e também para dentro de nós mesmos — para vermos de que barro é feita a criatura humana em nosso planeta. Fala-se muito em fraude e mistificação no Espiritismo, como se ambas não estivessem em toda parte, onde quer que exista uma criatura humana. Espíritos e médiuns que fraudam são nossos companheiros de plano evolutivo, nossos colegas de fraudes cotidianas.


O Espiritismo está na Terra, em cumprimento à promessa evangélica do Consolador, para consolar os aflitos e oferecer a verdade aos que anseiam por ela. Sua missão é transformar o homem para que o mundo se transforme. Há muita gente querendo fazer o contrário: mudar o mundo para mudar o homem.


O Espiritismo ensina que a transformação é conjunta e recíproca, mas tem de começar pelo homem.


Enquanto o homem não melhora, o mundo não se transforma. Inútil, pois, apelar para modificações superficiais. Temos de insistir na mudança essencial de nós mesmos.


O homem novo que nos dará um mundo novo é tão velho quanto os ensinos espirituais do mais remoto passado, renovados pelo Evangelho e revividos pelo Espiritismo.


Sem amor não há justiça e sem verdade não escaparemos à fraude, à mistificação, à mentira, à traição.


O trabalho espírita é a continuação natural e histórica do trabalho cristão que modificou o mundo antigo. Nossa luta é o bom combate do apóstolo Paulo: despertar as consciências e libertar o homem do egoísmo, da vaidade e da ganância.


Do livro “O Homem Novo” - Herculano Pires


Bem-aventurados os pobres de espírito




Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”

(São Mateus, V:3)


O que se deve entender por pobres de espírito


A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.


Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.


Se não admitem o mundo invisível e um poder extra humano, não é porque isso esteja fora do seu alcance, mas porque o seu orgulho se revolta à ideia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer do seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível. Atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito os que as levam a sério.


Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse mundo invisível que tanto ironizam. Então seus olhos se abrirão, e reconhecerão o erro. Mas Deus, que é justo, não pode receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente se submeteu às suas leis, nem aquinhoá-los por igual.


Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples. Jesus ensina que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que Dele nos afastam. E isso por uma razão muito natural, pois a humildade é uma atitude de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito, no sentido mundano, e rico de qualidades morais.


Do 'Evangelho Segundo o Espiritismo' – Allan Kardec (Capítulo 7)


Aniversário do blog



Amigos, hoje o blog Espírita na Net completa 2 anos!


Para mim é um dia especial, dia de agradecer a Deus por mais um ano de blog e por todas as oportunidades de aprendizado que a Doutrina Espírita nos oferece, tão importantes para todos nós.


Desde que criei o blog a intenção foi sempre tentar divulgar, com seriedade, e da maneira mais simples possível, os mais diversos temas comuns à Doutrina Espírita, bem como a visão espírita para certos assuntos do nosso dia-a-dia. Espero estar conseguindo. Aqueles que possuem um blog espírita sabem que não é tarefa fácil, é uma grande responsabilidade. Faço tudo com muito carinho, pois minha intenção é ajudar quem passar por aqui, mas também aprendo bastante e me sinto muito feliz e realizada com isso.


Aprendo muito fazendo o blog, mas penso especialmente em cada pessoa que passa por aqui e que poderá ser beneficiada por qualquer um dos textos publicados, essa é a minha principal motivação. Como já disse aqui antes, se este espaço conseguir levar um pouco de luz a quem quer que seja, vou me sentir muito satisfeita!


Aproveito para fazer um agradecimento especial a todos vocês, visitantes do blog:


- às pessoas de todos os lugares do Brasil (e do mundo) que acessam o blog todos os dias (um abraço especial aos irmãos de Portugal);

- aos amigos (blogueiros ou não) que sempre deixam comentários;

- aos que passam silenciosamente, mas deixam sua energia positiva;

- àqueles que recebem as mensagens via e-mail;

- aos que me enviam e-mails, compartilhando seus problemas, suas dúvidas, dando-me a oportunidade de (tentar) auxiliar e aprender mais;

- aos que não compartilham as mesmas ideias, mas respeitam;

- aos que tentam mostrar que o espiritismo é um 'erro', e acabam oferecendo a oportunidade de reflexão e exercício da tolerância, paciência e perdão;

- aos que sempre têm uma palavra de apoio e incentivo...


A todos vocês, enfim, meu MUITO OBRIGADA.


A Doutrina Espírita em muito nos ajuda, tira nossas dúvidas e nos dá consolo nos momentos de dificuldade; é sempre muito bom estudar e aprender cada vez mais; mas o melhor mesmo é aproveitar todos os momentos de nossa vida para colocar em prática o que ela nos ensina, especialmente a prática da caridade e do amor ao próximo, como Jesus nos recomendou, e é isso que eu desejo a todos nós: a prática do bem, acima de todas as coisas, independente de 'grau de conhecimento' e religião.


Que Deus nos ilumine sempre.


Para ler a mensagem do primeiro aniversário do blog - CLIQUE AQUI.



ORAÇÃO



Senhor Jesus!


Agradecendo-te o amparo de todos os dias, eis-nos aqui, de espírito, ainda em súplica, no campo em que nos situaste.


Ensina-nos a procurar na vida eterna a beleza e o ensinamento da temporária vida humana!


Apesar de amadurecidos para o conhecimento, muitas vezes somos crianças pelo coração.


Ágeis no raciocínio, somos tardios no sentimento.


Em muitas ocasiões, dirigimo-nos à tua infinita Bondade, sem saber o que desejamos.


Não nos deixes, assim, em nossas próprias fraquezas!


Nos dias de sombra, sê nossa luz!


Nas horas de incerteza, sê nosso apoio e segurança!


Mestre Divino!


Guia-nos o passo na senda reta.


Dá-nos consciência da responsabilidade com que nos enriqueces o destino.


Auxilia-nos para que o suor do trabalho nos alimente o lume da fé.


Não admitas que o verme do desalento nos corroa o ideal e ajuda-nos para que a ventania da perturbação não nos inutilize a sementeira.


Educa-nos para que possamos converter os detritos do temporal em adubo que nos favoreça a tarefa.


Ao redor da leira que nos confiaste, rondam aves de rapina, tentando instilar-nos desânimo e discórdia...


Não longe de nós, flores envenenadas deitam capitoso aroma, convidando-nos ao repouso inútil, e aves canoras da fantasia, através de melodias fascinantes, concitam-nos a ruinosa distração...


Fortalece-nos a vigilância para que não venhamos a cair.


Dá-nos coragem para vencer a hesitação e o erro, a sombra e a tentação que nascem de nós.


Faze-nos compreender os tesouros do tempo, a fim de que possamos multiplicar os créditos de conhecimento e de amor que nos emprestaste.


Divino Amigo!


Sustenta-nos as mãos no arado de nossos compromissos, na verdade e no bem, e não permitas, em tua misericórdia, que os nossos olhos se voltem para trás.


Que a tua vontade, Senhor, seja a nossa vontade, agora e para sempre.


Assim seja.


Emmanuel

09 de junho de 1955


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Do livro “Instruções Psicofônicas”

Por diversos espíritos

Médium (psicofonia): Francisco Cândido Xavier

Editora FEB


O ponto culminante



Você é um Espírito imortal que temporariamente enverga uma veste de carne.


Já teve infinitas experiências em incontáveis vidas.


Já foi rico e pobre, homem e mulher, saudável e enfermo, a cor de sua pele variou grandemente.


Errou, acertou, errou de novo para acertar com mais propriedade logo depois.


O ato de sua criação perde-se na noite dos tempos.


Entretanto, você se constrói a cada nova experiência.


Embora nem sempre seja feliz em suas escolhas, de cada vida sai mais forte e preparado.


Houve ocasiões em que terminou a trajetória carnal insatisfeito consigo mesmo.


Após cessarem as ilusões da matéria, compreendeu que poderia ter utilizado melhor seu tempo e seus recursos.


Mas também já atravessou vidas sofridas, nas quais resgatou graves débitos e fez importantes aprendizados.


A Lei do Progresso é um imperativo universal.


Ela impede que um Espírito perca virtudes e inteligência.


É possível nascer em situações mais complicadas e sucumbir a tentações.


Mas ninguém regride em sua evolução.


Uma vez conquistado determinado valor, ele jamais se perde.


A inteligência cada vez mais se abrilhanta, sem possibilidade de retrocesso.


Desse modo, hoje você está no ponto culminante de sua trajetória milenar.


Jamais foi tão inteligente e virtuoso.


Sabedoria, bondade, capacidade de renúncia e de trabalho, tudo em seu ser se encontra no zênite.


Está no exato ponto da evolução para o qual se preparou e dispõe dos recursos mais adequados à solução de seus problemas.


Sua atual existência foi carinhosamente preparada.


Considerando seus compromissos, erros e acertos, ela retrata uma possibilidade de real elevação.


A título de aprendizado e progresso, ou de provações retificadoras, você possui amplas condições de se sair maravilhosamente bem.


Não importa quão difícil lhe pareça dada exigência da vida, você pode dar conta dela.


Seus familiares são os mais adequados às suas necessidades.


As condições de sua vida são as ideais, conforme a Lei de merecimento que rege o Universo.


Você não é vítima e nem privilegiado.


Recebeu o necessário para ser um agente do progresso e espargir o bem em seu derredor.


À vista disso, importa compreender que a base de sua tranquilidade reside na integridade da consciência.


Todos os problemas que surgem em seu caminho são uma oportunidade bendita de retificação e aprendizado.


As carências são um auxílio a mais, um convite para compreender as tristezas do próximo.


Os recursos são generosos empréstimos da vida maior, em favor de sua felicidade.


Está em suas mãos converter todos esses fatores em luz e paz em seu caminho, mediante uma sábia e digna aplicação.


Pense nisso.


(Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXX, do livro 'Coragem', pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier.)


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Deus dá a oportunidade de aprender e evoluir. Os ensinamentos são importantes para a evolução de cada um. Aceite tudo o que Deus coloca na estrada da vida, e compreenderá que não estamos aqui por acaso.


(Mensagem recebida pelo Grupo de Estudos de Psicografia da Fraternidade Francisco de Assis - Em 06/07/2009)



Significado do sofrimento na vida


Para melhor expressar-se, o amor irrompe de formas diferentes, convidando à reflexão em torno dos valores existenciais. Muito do significado que se caracteriza pelo poder — mecanismo dominante da realização do ego — desaparece, quando o amor não está presente, preenchendo o vazio existencial. Essa ânsia de acumular, de dominar, que atormenta enquanto compraz, torna-se uma projeção da insegurança íntima do ser que se mascara de força, escondendo a fragilidade pessoal, em mecanismos escapistas injustificáveis que mais postergam e dificultam a auto-realização.


A perda da tradição é como um puxar do tapete no qual se apoiam os pés de barro do indivíduo que se acreditava como o rei da criação e, subitamente se encontra destituído da força de dominação, ante o desaparecimento de alguns instintos básicos, que vêm sendo substituídos pela razão. O discernimento que conquista é portador de mais vigor do que a brutalidade dos automatismos instintivos, mas somente, a pouco e pouco, é que o inconsciente assimilará essa realidade, que partirá da consciência para os mais recônditos refolhos da psique.


Nesta transformação — a metamorfose que se opera do rastejar no primarismo para a ascese do raciocínio — o sofrimento se manifesta, oferecendo um novo tipo de significado e de propósito para a vida.


Impossível de ser evitado, torna-se imperioso ser compreendido e aceito, porquanto o seu aguilhão produz efeitos correspondentes à forma porque se deva aceitá-lo.


Quando explode, a rebeldia torna-se uma sensação asselvajada, dilaceradora, que mortifica sem submeter, até o momento em que, racionalmente aceito, faz-se instrumento de purificação, estímulo para o progresso, recurso de transformação interior.


O desabrochar da flor, rompendo o claustro onde se ocultam o perfume, o pólen, a vida, é uma forma de despedaçamento, que ocorre, no entanto, no momento próprio para a harmonia, preservando a estrutura e o conteúdo, a fim de repetir a espécie.


O parto que propicia vida é também doloroso processo que faculta dilaceração.


O sofrimento, portanto, seja ele qual for, demonstra a transitoriedade de tudo e a respectiva fragilidade de todos os seres e de todas as coisas que os cercam, alterando as expressões existenciais, aprimorando-as e ampliando-lhes as resistências, os valores que se consolidam. Na sua primeira faceta demonstra que tudo passa, inclusive, a sua presença dominante, que cede lugar a outras expressões emocionais, nada perdurando indefinidamente. Na outra vertente, a aquisição da resistência somente é possível mediante o choque, a experiência pela ação.


O ser psicológico sabe dessa realidade, O Self identifica-a, porém o ego a escamoteia, fiel ao atavismo ancestral dos seus instintos básicos.


O sofrimento constitui, desse modo, desafio evolutivo que faz parte da vida, assim como a anomalia da ostra produzindo a pérola. Aceitá-lo com resignação dinâmica, através de análise lúcida, e bem direcioná-lo é proporcionar-se um sentido existencial estimulante, responsável por mais crescimento interior e maior valorização lógica de si mesmo, sem narcisismo nem utopias.


Todos os indivíduos, uma ou mais vezes, são convidados ao enfrentamento, em enfermidades graves ou irreversíveis, com dramas familiares inabordáveis, com situações pessoais quase insuportáveis, defrontando o sofrimento.


A reação irracional contra a ocorrência piora, alucina ou entorpece os centros da razão, enquanto que a compreensão natural, a aceitação tranquila, propiciam a oportunidade de conseguir o valor supremo de oferecer-se para a conquista do sentimento mais profundo da existência.


A morte, a enfermidade, os desastres econômicos, os dramas morais, os insucessos afetuosos, a solidão e tantas outras ocorrências perturbadoras, porque inevitáveis, produzindo sofrimento, devem ser recebidas com disposição ativa de experienciá-las. Para alguns desses acontecimentos palavra alguma pode diluir-lhe os efeitos. Somente a interação moral, a confiança em Deus e em si mesmo para a convivência feliz com os seus resultados.


Esta disposição nasce da maturidade psicológica, do equilíbrio entre compreender, aceitar e vivenciar. Aqueles que não os suportam, entregando-se a lamentações e silícios íntimos, permanecem em estado de infância psicológica, sentindo a falta da mãe superprotetora que os aliviava de tudo, que tudo suportava em vãs tentativas de impedir-lhes a experiência de desenvolvimento evolutivo.


A aceitação, porém, do sofrimento como significado existencial e propósito de vida, não se torna uma cruz masoquista, mas se transforma em asas de libertação do cárcere material para a conquista da plenitude do ser.


Do livro “Amor, Imbatível Amor”

Pelo Espírito 'Joanna de Ângelis'

Psicografia Divaldo Pereira Franco